CORAÇÕES SUJOS

CORAÇÕES SUJOS

(Corações Sujos)

2010 , 115 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 17/08/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Vicente Amorim

    Equipe técnica

    Roteiro: David França Mendes

    Fotografia: Rodrigo Monte

    Estúdio: Downtown, Globo Filmes, Mixer

    Distribuidora: Downtown Filmes, RioFilme

    Elenco

    Celine Miyuki, Eduardo Moscovis, Eiji Okuda, Issamu Yazaki, Kimiko Yo, Shun Sugata, Takako Tokiwa, Tsuyoshi Ihara

  • Crítica

    13/08/2012 17h47

    Na década de 80 um comercial de xampu anticaspa ficou famoso no país com o slogan: “Parece, mas não é”. Quem tem mais de 30 lembra do Denorex, que parecia remédio, tinha cheiro de remédio, mas não era remédio. Corações Sujos é como o famigerado xampu: parece bem realizado, parece grandioso, mas não é. É, na verdade, um filme pequeno, diminuto diante das possibilidades, principalmente se levarmos em consideração ter sido inspirado no livro homônimo de Fernando Moraes, obra rica e repleta de situações potenciais para serem exploradas na telona.

    Não há comparações aqui entre livro e filme. O best-seller de Moares é sustentado em ampla pesquisa e abarca diferentes épocas, histórias, personagens, tramas e subtramas. Era preciso então pinçar, reunir elementos e personagens para construir outra obra bem diferente, o filme. O diretor Vicente Amorim (O Caminho das Nuvens) e o roteirista David França Mendes (Um Romance de Geração) decidiram sintetizar o drama vivido pelos imigrantes japoneses no Brasil do pós-Segunda Guerra se concentrando em dois personagens centrais: Takahashi (Tsuyoshi Ihara, de Cartas de Iwo Jima) e Miyuki (Takako Tokiwa, famosa atriz da TV japonesa).

    Ele é dono de uma pequena loja de fotografia no interior de São Paulo e casado com Miyuki, uma professora primária. A história mostra a transformação de Takahashi de homem comum em assassino, enquanto sua mulher luta contra o destino, tentando em vão salvar seu amor em meio ao caos e à violência. Por trás disso se desenrola a história maior, do Brasil pós-Guerra, onde a imensa população de imigrantes japoneses era reprimida pelo Estado e formada por gente de pouca instrução. Cenário onde surgem organizações alimentadas pela ignorância, dedicadas a divulgar a “verdade” da vitória do Japão na guerra e a reprimir e assassinar os “derrotistas”, apelidados pejorativamente de “corações sujos”. Takahashi reluta, mas acaba se tornando membro de uma dessas gangues. A escolha feita por ele, em nome do Espírito Japonês, mudará para sempre sua vida e a de Miyuki.

    O problema de Corações Sujos não está em suas opções, mas na execução. Em primeiro lugar tem-se uma trilha sonora excessiva, abusiva, pontuando todo e qualquer avanço dramático do enredo. Não renego a música como auxiliar na busca pela emoção, mas seu excesso gera efeito oposto, cansa e irrita. Parece que o diretor não acredita no enredo que desenvolve e imagens que produz. Estas, por sinal, são, de tempos em tempos, mostradas sob efeitos de distorção nas bordas por uso de lentes especiais – recurso estético sem razão de ser e que nada acrescenta.

    Neste fogo cruzado entre os japoneses, há um estrangeiro em sua própria terra, o subdelegado vivido por Du Moscovis, que tenta, sem êxito, por fim ao conflito. Até que, de uma hora para outra, some do mapa. Por que um personagem que parecia importante na trama sumiu ou por que a policia não investiga os assassinatos, sabe-se lá. Na verdade, sabe-se sim: roteiro mal construído. Ao final do filme ele aparece novamente, do nada, como se tivesse tirado férias.

    Corações Sujos tem boa direção de arte, um elenco de atores orientais de peso, bela fotografia e é impecável sob vários pontos de vista técnicos. Mas sua história é mal desenvolvida por um roteiro com falhas, uma direção preocupada em produzir belas imagens - mas que esquece o conjunto - e uma música incidental maçante que força a emoção de momento porque esta não surgiu do desenvolvimento da trama. Ou seja, parece um grande filme, mas não é.


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