CRIME DELICADO

CRIME DELICADO

(Crime Delicado)

2005 , 87 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Beto Brant

    Equipe técnica

    Roteiro: Beto Brant, Marçal Aquino, Marco Ricca

    Produção: Bianca Villar, Marco Ricca, Renato Ciasca

    Fotografia: Walter Carvalho

    Elenco

    Felipe Ehrenberg, Lilian Taublib, Marco Ricca, Maria Manoella

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Beto Brant ficou conhecido por retratar a violência urbana. Seu cinema, de cortes rápidos e direção inquieta (caracterizada pela câmera na mão, advento dos equipamentos modernos extremamente leves), sempre teve como mote esse tema. Em Crime Delicado, Brant ainda recorre a uma história violenta, mas não essa com as quais estamos acostumados depois de Os Matadores (1995) e O Invasor (2001), mas sim a violência permeada por paixões e pela arte. Os crimes não são contra a carne como acontece em seus longas anteriores, mas contra a alma, o que faz com que o cineasta paulista dê uma guinada completa em sua carreira.

    O protagonista de Crime Delicado é Antônio Martins (Marco Ricca). O crítico teatral tem como o autocontrole sua maior marca. Observador não somente de peças, mas também de pessoas, tem seus conceitos mudados quando conhece Inês (Lilian Taublib), cuja personalidade é oposta à do crítico. Desinibida, apesar de não ter uma perna (motivo que mexe com a auto-estima de qualquer um), ela entra na vida de Antônio de forma a desestruturá-lo ao despertar uma paixão inédita no cínico e frio jornalista.

    Inês mantém uma relação ambígua com o pintor José Torres Campana (Felipe Ehrenberg), famoso por seus quadros eróticos que têm como modelo o próprio artista e a jovem. A relação desperta ciúmes doentio em Antônio e o conduz em uma espiral de ansiedade, ciúmes, perturbação e ilusão.

    Crime Delicado mostra o universo do protagonista de forma peculiar. Os cortes rápidos presentes nos outros filmes de Brant são substituídos pela câmera contemplativa. Sempre parada, a direção se assemelha à teatral que, combinada à iluminação, ajudam o espectador a ser apresentado à forma de observação de Antônio, que, acostumado às análises teatrais, vê seu mundo da mesma maneira. A produção é como um quebra-cabeça: muitas de suas cenas, aparentemente descontextualizadas em relação à trama central, formam, juntas, essa inserção no universo do protagonista.

    É evidente que Crime Delicado é um projeto mais pessoal de Brant, marcando seu quarto longa-metragem. Parte dessa razão está no próprio Marco Ricca, produtor, co-roteirista e protagonista. Foi ele quem teve a idéia de adaptar o romance homônimo de Sérgio Sant'Anna sob a direção de Brant. A alma do filme está nas várias artes no qual é baseado: a literatura, o teatro e plásticas. Sem abrir mão de conflitos modernos, porém mais atemporal, Brant se insere na transformação de sua carreira com Crime Delicado. Contemplativo ao extremo, trata-se de um filme forte, talvez mais violento se comparado aos três anteriores por ser sobre sentimentos.

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