CRIME FERPEITO

CRIME FERPEITO

(Crimen Ferpecto)

2004 , 105 MIN.

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Álex de la Iglesia

    Equipe técnica

    Roteiro: Álex de la Iglesia, Jorge Guerricaechevarría

    Produção: Álex de la Iglesia, Gustavo Ferrada, Roberto Di Girolamo

    Fotografia: Roque Baños

    Trilha Sonora: Roque Baños

    Elenco

    Enrique Villén, Fernando Tejero, Gracia Olayo, Guillermo Toledo, Javier Gutiérrez, Kira Miró, Luis Varela, Mónica Cervera, Penélope Velasco, Rosario Pardo

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Antes de mais nada, vale esclarecer que Crime Ferpeito não é erro de digitação: é assim mesmo, escrito errado, numa homenagem que o diretor pretendeu prestar a Disque M para Matar, que na Espanha foi traduzido como Crimem Perfecto.

    O filme começa com uma ácida sátira ao competitivo mundo corporativo, imaginando um treinamento de vendas dos menos ortodoxos. Um dos alunos do suposto curso, ao ver seu colega humilhado à exaustão, pergunta se alguma vez existiu o vendedor perfeito. O mestre, com saudosismo e cerimônia, começa a recordar a história de Rafael (Guillermo Toledo), um homem sofisticadíssimo, irresistível para as mulheres e capaz de realizar qualquer tipo de venda usando apenas seu charme e poder de persuasão. A piada já começa aí: esquisito e de cabelos ensebados, Rafael está muito distante dos padrões de beleza e sedução que conhecemos.

    Todo o problema tem início quando o super vendedor não consegue realizar o grande sonho de ser nomeado gerente geral da loja de departamentos onde trabalha. Ele entra em depressão, torna-se agressivo e se envolve por acidente na morte de seu maior oponente, numa cena que remete ao belo drama O Expresso da Meia Noite. A partir daí, Rafael vive uma sucessão de erros que poderão transformá-lo exatamente naquilo que ele mais detesta: um homem comum. Somente a execução de um crime perfeito poderia tirá-lo da situação em que se meteu.

    Mais uma vez, o diretor espanhol Álex de la Iglesia entra no pantanoso terreno da comédia cruel. Mais que um simples humor negro, seus filmes destilam uma crueldade e um escracho latinos difíceis de serem encontrados na cinematografia de outros países, fora a Espanha. Em Crime Ferpeito, ele abre o jogo e declara que "para sermos bem-sucedidos neste mundo, temos, de certa forma, que nos transformar em palhaços". Sem perder o bom humor. Ou, pelo menos, o bom humor negro.

    Álex brinca com os clássicos do suspense, reverencia Ensaio de um Crime, de Buñuel (o que Almodóvar já havia feito em Carne Trêmula) e aponta sua metralhadora giratória contra o consumismo barato que assola a sociedade ocidental. Não por acaso, quase tudo se passa dentro de uma grande loja. Diretor de Perdita Durango e A Comunidade, para citar só dois exemplos, o cineasta choca pela violência e diverte pelo sarcasmo. A receita não é facilmente digerível pelo grande público, mas é compensadora para quem se dispuser a temperos mais calientes.

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