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CRIMES OCULTOS

(Child 44)

2015 , 137 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 21/05/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Daniel Espinosa

    Equipe técnica

    Roteiro: Richard Price

    Produção: Greg Shapiro, Michael Schaefer, Ridley Scott

    Fotografia: Oliver Wood

    Trilha Sonora: Jon Ekstrand

    Estúdio: Etalon film, Scott Free Productions, Stillking Films, Summit Entertainment, Worldview Entertainment

    Montador: Dylan Tichenor, Pietro Scalia

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Agnieszka Grochowska, Anssi Lindström, Barbora Lukesová, Charles Dance, Claudia Vaseková, Fares Fares, Fedja Stukan, Finbar Lynch, Flynn Matthews, Gary Oldman, Jana Stryková, Jason Clarke, Joel Kinnaman, Josef Altin, Kevin Clarke, Lottie Steer, Mark Lewis Jones, Michael Nardone, Ned Dennehy, Nikolaj Lie Kaas, Noomi Rapace, Paddy Considine, Petr Vanek, Sam Spruell, Samuel Buttery, Sonny Ashbourne Serkis, Tara Fitzgerald, Tom Hardy, Vincent Cassel, Vlastina Svátková, Xavier Atkins

  • Crítica

    19/05/2015 16h24

    Por Daniel Reininger

    Daniel Espinosa (Protegendo O Inimigo) cria retrato realista e sombrio da Cortina de Ferro nos anos 1950 e esse é o maior trunfo de Crimes Ocultos. Mesmo com grande elenco (Tom Hardy, Noomi Rapace, Gary Oldman, Joel Kinnaman) e roteiro baseado no interessante livro de Rob Tom Smith, o filme não consegue captar o peso da história e nem criar o mistério necessário para segurar a trama conforme os eventos se desenrolam.

    Embora o filme recrie bem o clima opressor da União Soviética de Stálin, o longa trata mesmo é de uma série de assassinatos de crianças em diversas regiões do país e como o regime procura abafa-los na tentativa de vender a ideia de que a sociedade comunista é perfeita. Como membros da MGB (Polícia secreta) recitam mais de uma vez: "Não há assassinatos no paraíso".

    A história segue Leo Demidov (Hardy), proeminente agente da MGB, desonerado após recusar-se a denunciar sua esposa Raisa (Rapace) como traidora. Exilados para o interior pobre da USRR, Leo e Raisa se aliam ao general Mikhail Nesterov (Oldman) para rastrear um serial killer de meninos. A forma como os personagens deixam de se preocupar com a própria segurança para resolver o caso é heroica, porém, difícil de acreditar em vista dos acontecimentos que os levam até aquele ponto.

    E como o tema é tenso, o ambiente em volta é tenso, então nada mais justo do que o tom do filme ser sério e pesado. Curiosamente, esses fatores não ajudam a criar clima de suspense, afinal, os eventos se desdobram lentamente e os espectadores sempre estão um passo à frente de Leo, afinal Espinosa resolveu mostrar em primeira mão os assassinatos e revelar, inexplicavelmente, a identidade do assassino cedo demais. Tudo isso prejudica a tensão criada com cuidado inicialmente e deixa a narrativa bem menos interessante.

    O sotaque russo dos personagens é outro problema constante. Não faz sentido, já que falam inglês, mas também pelo fato de cada ator falar de uma forma e, pior, nem todos são convincentes como Tom Hardy. Esse tipo de elemento quando usado para destacar um personagem estrangeiro na trama já costuma ficar estranho, vide Feiticeira Escarlate e Mercúrio em Vingadores: Era De Ultron, mas o elenco todo e sem pausas é simplesmente ridículo. Mesmo com boas atuações, especialmente de Hardy e Rapace, as coisas ficam esquisitas.

    Sem falar que alguns problemas estão na forma como os personagens foram escritos e não tanto na atuação. É o caso do general Mikhail Nesterov (Oldman), que tem pouco espaço na trama e muda de ideia como quem muda de roupa. Ou ainda do vilão vivido por Joel Kinnaman, que é o ápice do clichê do comunista maléfico e inescrupuloso capaz de qualquer coisa por poder.

    Crimes Ocultos deixa muito a desejar e é uma pena que a história não funcione, principalmente pelo elenco talentoso e premissa interessante. Ritmo travado, exagero de subtramas e revelações desnecessárias enterram o mistério e mesmo as cenas de ação poderiam ser melhores executadas. O longa vale mesmo pela impressionante atenção ao detalhe do design de produção e fotografia sufocante. Infelizmente, esses aspectos não são suficientes para salvar uma produção com tanto potencial desperdiçado.

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