CRÔNICA DA INOCÊNCIA

CRÔNICA DA INOCÊNCIA

(Comédie de l'Ilnocence)

2000 , 100 MIN.

16 anos

Gênero: Suspense

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Raoul Ruiz

    Equipe técnica

    Roteiro: Françoise Dumas, Françoise Ruiz, Raoul Ruiz

    Produção: Antoine de Clermont-Tonnerre, Martine de Clermont-Tonnerre

    Fotografia: Jacques Bouquin

    Trilha Sonora: Jorge Arriagada

    Elenco

    Charles Berling, Denis Podalydès, Edith Scob, Isabelle Huppert, Jeanne Balibar, Nils Hugon

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    No dia em que completa nove anos, Camille questiona sua mãe: "Quando eu nasci, você estava lá?" A pergunta pode parecer apenas uma divertida ingenuidade infantil, mas na realidade esconde toda a dualidade e todo o mistério do intrigante drama Crônica da Inocência, uma das boas estréias deste final de semana.

    Camille (Nils Hugon, estreando no cinema) e sua mãe Ariane (Isabelle Huppert, de A Professora de Piano) mantêm uma relação aparentemente normal. De classe média alta, com uma bela casa, a família leva a vida sem grandes percalços, embora com visível e marcante frieza (aspecto ideal para ressaltar mais uma boa interpretação de Huppert). Em seus passeios pelo parque, Camille registra tudo com uma pequena câmera de vídeo. Após seu aniversário, porém, o garoto repentinamente passa a insistir na idéia de que não faz parte daquela família, que não mora naquela casa e deseja ir ao encontro de sua verdadeira mãe.

    É neste clima de mistério que o diretor e roteirista chileno Raoul Ruiz (o mesmo de Genealogias de um Crime) desenvolve a história de Crônica da Inocência. Dentro da tradição do cinema francês, a narrativa é crua e gradativamente envolvente. Há um suspense constante no ar, emoldurado pela interpretação sempre enigmática de Isabelle Huppert e por sugestivos momentos de silêncio. Ruiz joga aqui e ali algumas pequenas charadas que não necessitarão - obrigatoriamente - de solução. Como a relação entre a empregada Hélène e o irmão de Arianne, por exemplo. Ou mesmo a presença de um misterioso amigo imaginário de Camille. Contrariamente às formulações clássicas do roteiro americano, nem todas as sementes atiradas no decorrer da narrativa devem necessariamente exibir seus frutos até o final da trama.

    Tudo isso faz de Crônica da Inocência um atrativo drama de mistério recheado de subtextos psicológicos sobre as relações familiares. Mais um bom trabalho francês que chega ao circuito brasileiro.

    26 de março de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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