DE CORAÇÃO ABERTO

DE CORAÇÃO ABERTO

(À Coeur Ouvert)

2012 , 90 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 15/02/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Marion Laine

    Equipe técnica

    Roteiro: Marion Laine

    Produção: Catherine Bozorgan, Christine Gozlan

    Fotografia: Antoine Héberlé

    Estúdio: Canal+, Centre National de la Cinématographie (CNC), Ciné+, France Télévision, La Banque Postale Images 5, Manchester Films, MK2 Productions, Procirep, Région Provence-Alpes-Côte d'Azur, Soficinéma 8, Thelma Films

    Distribuidora: Imovision

  • Crítica

    15/02/2013 17h56

    O título De Coração Aberto consegue enganar. Se lido como uma metáfora, pode indicar amor, perdão. Mas, interpretado literalmente, dá uma sensação pouco agradável a quem imaginar o músculo partido ao meio. Essa dualidade pouco genial diz respeito à trama sobre o relacionamento de um casal de cirurgiões cardiovasculares.

    A centrada Mila (Juliette Binoche) é casada com Javier (Édgar Ramírez) há dez anos no longa coescrito e dirigido pela francesa Marion Laine. Trabalhando no mesmo hospital, eles dividem uma rotina aparentemente muito mais empolgante do que a maioria dos casais. Cenas dos dois correndo pela casa ou jogando ping-pong feito adolescentes mostram uma felicidade possível, mas pouco fundamentada.

    O casal aparenta ter acabado de se conhecer. Apesar da boa química entre os atores, que não tiveram muito tempo para ensaiar antes do filme ser rodado, a relação parece superficial. Tal sentimento permeia toda a trama, prejudicando seu desenvolvimento.

    Quando uma gravidez indesejada cruza o caminho dos dois, temos a frieza preconcebida de uma médica. Mila pensa prontamente no aborto, mas encontra a resistência do marido, que deseja mudar de país e manter a criança, mesmo quando a esposa enfrenta uma gravidez de risco. Assim, nasce o conflito.

    As cenas de discussão são as melhores: garrafas voam pela janela e a pobre criança que nem veio ao mundo é chamada de “embrião” pela mãe e “larva” pelo pai. A atuação de Juliette Binoche com sua personagem caminhando no limiar entre a força adquirida na profissão e a fragilidade maternal crescente merece destaque. Édgar Ramírez vive intensamente o transtornado Javier.

    O personagem tem seu alcoolismo amplificado ao longo da gravidez da esposa e mostra-se uma pessoa completamente instável – inclusive para manter um relacionamento de dez anos. O ciúme crescente em relação à Mila, tanto em termos profissionais quanto pela atenção perdida para o bebê, leva os dois a uma competição incessante sobre quem está certo ou errado.

    Apesar da trama frágil, o filme emociona com seu desfecho simbólico. Em uma espiral decrescente, a personagem de Binoche torna-se cada vez mais solitária durante a gravidez ao lado do marido egoísta. Alguns detalhes da produção, como a fotografia em cenas pouco iluminadas, dão um aspecto interessante ao longa.

    Talvez os diretores franceses estejam traduzindo um sentimento em ascensão no país historicamente inclinado para a liberdade pessoal: de que os filhos são um empecilho ao desenvolvimento. Outro filme lançado recentemente, Um Evento Feliz, trouxe a mesma temática: um casal com a vida destruída pelo nascimento.

    Se o cinema está sendo o reflexo de uma geração individualista, caberá a um olhar futuro responder. Mas, como obra de arte ou entretenimento, De Coração Aberto não impressiona, apenas cumpre o seu papel.

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