DE TANTO BATER MEU CORAÇÃO PAROU

DE TANTO BATER MEU CORAÇÃO PAROU

(De Battre Mon Coeur S'est Arreté)

2005 , 107 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Jacques Audiard

    Equipe técnica

    Roteiro: Jacques Audiard, Tonino Benacquista

    Produção: Pascal Caucheteux

    Fotografia: Stéphane Fontaine

    Trilha Sonora: Alexandre Desplat

    Estúdio: Why Not Productions

    Elenco

    Anton Yakovlev, Aure Atika. Emmanuelle Devos, Gilles Cohen, Jonathan Zaccaï, Linh Dan Pham, Mélanie Laurent, Niels Arestrup, Romain Duris

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O coração pode não chegar a parar de bater, mas em certos momentos passa perto disso. O diretor Jacques Audiard (roteirista de Instituto de Beleza Vênus, filme que revelou Audrey Tautou) consegue criar um clima tenso, com pouca luz. De Tanto Bater Meu Coração Parou foi baseado no longa Fingers, de 1978, com direção e roteiro do americano James Toback. Realinhado e atualizado, a refilmagem sai de Nova York para Paris e nos mostra como escapar das prisões interiores, mesmo que essas fugas não saiam como planejadas.

    Indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2005, a história de De Tanto Bater Meu Coração Parou gira em torno de Thomas Seyr (Romain Duris), um rapaz de 28 anos com um dilema em sua vida: seguir o caminho corrupto do pai, no ramo de imóveis, ou o lado virtuoso da mãe, uma talentosa pianista. O amor que sente pelo pai e o dinheiro que os negócios imobiliários lhe rende são as razões para continuar nesse mundo violento e cheio de trapaças. Porém, com o talento herdado da falecida mãe, ele sonha ser um pianista de sucesso. Esse desejo se torna possível quando ele reencontra um antigo empresário que o convida para uma audição. Há dez anos sem tocar, Tom contrata uma professora chinesa que não fala uma palavra sequer de francês, mas eles conseguem se entender claramente por intermédio da música, em uma grande sintonia.

    No meio de tanta traição, violência e corrupção, a relação entre Tom e seu pai, Robert Seyr (Niels Arestrup), ganha traços de ternura e devoção. Robert consegue transmitir muito amor ao filho, suprindo de certa forma a falta da mãe, exceto no campo profissional, no qual acaba levando-o à corrupção. O ator Romain Duris atua de maneira fria e calculista, oposta à emoção e impulsividade do personagem. Ele expulsa moradores de seus prédios com tacos de beisebol na mão, ao mesmo tempo em que faz de tudo para não desagradar ou magoar o pai. Em algumas cenas, não há como distinguir o sentimento pelo qual está passando, fator que deveria ser mais contrastante em razão da dualidade vivida pelo personagem.

    Apesar de De Tanto Bater Meu Coração Parou não ser tão introspectivo quanto outros filmes do cinema francês - o que pode decepcionar alguns -, o conjunto da produção tem saldo positivo, principalmente pela ambientação criada pelo diretor Jacques Audiard, por meio de cenas escuras e frias que abrem espaço ao nervosismo quase psicótico do protagonista, cheio de tiques nervosos e um vício incontrolável por cigarro.

    Um conceito audacioso e escancarado sobre o crime organizado que nos faz pensar em cada escolha feita na vida e, principalmente, nos relacionamentos familiares. De Tanto Bater Meu Coração Parou vai segurar o espectador na poltrona até o final, se não pela narrativa pesada - nem todos gostam -, pela curiosidade em descobrir qual caminho Tom seguirá. Tem tudo para agradar a todos, mas sem grandes expectativas.

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