DEMÔNIO

DEMÔNIO

(Devil)

2010 , 80 MIN.

14 anos

Gênero: Terror

Estréia: 26/11/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • John Erick Dowdle

    Equipe técnica

    Roteiro: Brian Nelson, M. Night Shyamalan

    Produção: M. Night Shyamalan, Sam Mercer

    Fotografia: Tak Fujimoto

    Trilha Sonora: Fernando Velázquez

    Estúdio: Media Rights Capital

    Distribuidora: Paramount Pictures Brasil

    Elenco

    Bojana Novakovic, Bokeem Woodbine, Caroline Dhavernas, Chris Messina, Geoffrey Arend, Jacob Vargas, Logan Marshall-Green

  • Crítica

    03/12/2010 14h58

    Demônio certamente é um nome pretensioso para um filme de terror. O gênero tem o cramunhão como um norte em muitas ocasiões e já conseguiu exibir bem a sua essência em algumas delas. A Profecia e O Exorcista talvez sejam alguns dos melhores exemplos de boas transposições do satã para a sétima arte. Mas este é um dos olimpos no qual esta produção de M. Night Shyamalan não figurará, apesar do nome.

    O começo do filme não é original, mas também não deixa de ser interessante: cinco estranhos entram num elevador, que sofre uma pane no meio do trajeto. O tempo vai passando e ninguém dentro ou fora consegue entender o que está impedindo o elevador de seguir seu curso normal. Enquanto isso, a cada apagão que o elevador sofre, algum dos cinco aparece ferido. Qual deles estaria machucando os outros? Ou será que não é um nenhum deles?

    O filme inteiro se concentra no prédio em que o incidente ocorre e boa parte é focada apenas no elevador. Se existe um trunfo de Demônio, é justamente administrar bem essa claustrofobia, com boa ajuda da trilha sonora, que exala o desespero dos personagens, todos forçados a passar uma aparente eternidade em menos de dois metros quadrados - que se provam bem perigosos.

    Todavia, há uma falta de profundidade incômoda na história que inaugura a trilogia The Night Chronicles, em que Shyamalan pretende mostrar eventos sobrenaturais em ambientes urbanos. Em dado momento, chega a ser risível como toda cena tem que vir acompanhada de alguma observação edificante, muitas vezes colocada de forma artificial. Esse é um capricho que quebra a tensão, fundamental para a história, dando a impressão de que o roteiro quer deixar muito claro o que o roteirista pensou e é só isso que importa.

    Sendo assim, nada mais correto do que constatar que, embora não tenha dirigido dessa vez, esse é um filme típico de Shyamalan. E isso serve tanto para os aspectos negativos quanto para os positivos. O aspecto indesejável é evidente: o filme todo cresce através de um mistério latente que se revela ao final por meio de uma surpresa e há lição moral por trás do ocorrido, transmitida de forma piegas.

    Shyamalan já fez bons filmes, mas não há como defendê-lo quando a acusação diz respeito à forma, ou melhor, à fórmula que ele utilizou ao longo de toda esta década, em seus filmes autorais. Fim dos Tempos, por mais que tenha sido considerado um péssimo filme até mesmo por seu protagonista Mark Wahlberg, pelo menos representou uma interessante quebra nesse paradigma, assumindo um tom quase niilista. Mas ele ainda custa para se desapegar de sua marca – da qual não se livrou definitivamente nunca, sempre na leviana pretensão de ensinar algo.

    Demônio
    não é um completo fracasso na medida em que garante certa ansiedade e atiça a curiosidade sobre o que está causando aquilo em um ambiente tão pequeno e o impacto que isso gera nas pessoas, que vão se revelando conforme a violência aumenta. Entretanto, além do ritmo e duração do filme não permitirem que os personagens sejam corretamente elaborados, existem filmes que já exploraram esse tema de uma forma mais interessante.

    É possível citar Um Barco e Nove Destinos, de Hitchcock, que mostra pessoas sobrevivendo em um bote salva-vidas por dias, como um exercício melhor do gênero. Até O Iluminado, de Kubrick, consegue passar uma sensação mais opressiva e sufocante - usando um hotel de inúmeros aposentos - do que Demônio consegue em um elevador. Esses fatores, inevitavelmente, o tornam uma diversão bem momentânea e um filme menor.

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