DEPOIS DA CHUVA

DEPOIS DA CHUVA

(Ame Agaru)

1999 , 91 MIN.

anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Takashi Koizumi

    Equipe técnica

    Roteiro: Akira Kurosawa

    Produção: Hisao Kurosawa, Kayo Yoshida, Masato Hara, Tsutomu Sakurai

    Fotografia: Masaharu Ueda

    Trilha Sonora: Masaru Satô

    Elenco

    Akira Terao, Fumi Dan, Hidetaka Yoshioka, Hisashi Igawa, Mieko Harada, Shiro Mifune, Tatsuya Nakadai, Yoshiko Miyazaki

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Japão, século 18. Durante alguns dias, um grupo de pessoas permanece preso numa pequena pousada, esperando o tempo melhorar. Lá fora, uma chuva torrencial faz subir perigosamente o leito do rio. Os mais diferentes tipos convivem e dividem os seus espaços no apertado lugar: Ihein é um ronin (uma espécie de samurai desempregado) alegre, bem-humorado e justo. Sua esposa, Tayo, é o protótipo da mulher japonesa que só vive para satisfazer o marido. Há uma prostituta, alegres viajantes, muito canto, dança e música. Passada a chuva, Ihein é convidado para trabalhar como espadachim para Shigeaki, um poderoso senhor feudal. Mas um segredo do passado pode atrapalhar os planos do samurai.

    É sempre muito difícil tentar escrever em poucas linhas o resumo de um filme japonês. Assim como seus complexos ideogramas, o cinema produzido no Japão quase nunca é linear e simplificado como as nossas pobres sinopses ocidentais. A luta de Ihein por um emprego de samurai é apenas uma dentre as variadas formas de se enxergar Depois da Chuva. Mesmo porque o roteiro original foi escrito por ninguém menos que Akira Kurosawa, um dos cineastas mais respeitados e cultuados não só do Japão como do mundo.

    Em setembro de 98, Kurosawa faleceu antes de conseguir terminar este roteiro, baseado num conto de Shugoro Yamamoto (o mesmo autor que deu origem aos filmes Sanjuro – O Barba Ruiva e Dodeskaden). Após a morte de Kurosawa, seus colaboradores (conhecidos como Os Sete Samurais) se reuniram e elegeram Takashi Koizumi, discípulo e assistente de direção do mestre por 28 anos, como diretor deste filme. Koizumi trabalhou baseado nas notas deixadas pelo diretor. Os produtores acreditam que foram fiéis às orientações do mestre, que desejava acima de tudo filmar uma história que “deve deixar no espectador um sentimento de bem-estar e de alegria”, segundo os próprios escritos de Kurosawa.

    Depois da Chuva não é um filme facilmente digerível para o público ocidental. Ele mostra a transição que o Japão vivia no século 18, do luxo da Era de Genroku (1688-1703) para a simplicidade da Era Kyocho (1716-1735). O próprio Kurosawa escreveu no roteiro que os personagens “vivem na Era Kyocho. A Era Genroku havia ficado para trás, com suas guerras civis e seu luxo extravagante. O povo entrou na Era Kyocho com um grande respeito pela franca simplicidade, pois estava cansado deste excesso e desejoso de deixar tudo isso para trás. Essa é a história desta Era.”

    Como se percebe, trata-se de um universo de difícil assimilação para quem não é familiarizado com a cultura oriental. A narrativa do filme também segue a estética japonesa, em que o roteiro é apresentado ao público sob a forma de um grande quebra-cabeças, cujas peças se encaixam de forma lenta e gradativa. Ou talvez nem se encaixem. Por tudo isso, Depois da Chuva é um filme para platéias especiais, que exige esforço e atenção para ser compreendido. Ou simplesmente sentido.

    8 de maio de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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