Depois da Chuva

DEPOIS DA CHUVA

(Depois da Chuva)

2013 , 90 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 15/01/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Cláudio Marques, Marília Hughes

    Equipe técnica

    Roteiro: Cláudio Marques

    Produção: Cláudio Marques, Marília Hughes

    Montador: Cláudio Marques

    Distribuidora: Espaço Filmes

    Elenco

    Aicha Marques, Pedro Maia, Sophia Corral, Talis Castro

  • Crítica

    13/01/2015 13h17

    Por Iara Vasconcelos

    O período pós-ditadura no Brasil serve como inspiração e pano de fundo para diversas produções nacionais. O drama vencedor de três prêmios no Festival de Brasília, Depois Da Chuva, trabalho de estreia da dupla Marília Hughes e Cláudio Marques, também submerge nesse ambiente e retrata a reconquista da democracia após o importante movimento das Diretas Já. Entretanto, a ideia aqui não é fazer uma ode à essa conquista, mas sim um questionamento sobre sua real validade, enquanto faz um passeio pelo movimento de contracultura que ocorreu na Bahia.

    O trunfo começa pela escolha acertada do personagem Principal. O jovem baiano Caio (Pedro Maia) vem de uma família desestruturada, pais divorciados e pouco preocupados com seu bem estar. Logo no início, podemos perceber que ele não é como os outros alunos. Durante uma discussão sobre a escolha do presidente para o grêmio estudantil, prática que era proibida na época do regime militar, o próprio surpreende a todos ao sugerir que os colegas votassem nulo.

    Enquanto seus colegas de classe representam um Brasil otimista e a vontade de mudanças, Caio representa um lado cético e rebelde, que não hesita em questionar os acontecimentos ao seu redor. Ele pode ser claramente considerado um outsider- termo designado àqueles que não se encaixam na sociedade – e não tem amigos no colégio. Suas companhias são um grupo de anarquistas mais velhos que passam noites bebendo e fumando, além de comandarem uma rádio pirata intitulada "O Inimigo do Rei", voltada a denunciar o que eles consideram como "A farsa da democracia". Isso muda quando ele começa a se envolver com Fernanda (Sophia Corral), sua colega de classe. Além de ganhar uma companheira de luta, os dois vivem um romance, o que traz um pouco de leveza à história.

    O ponto alto da trama ocorre quando o menino escreve uma redação em que contesta a legitimidade do processo democrático e argumenta que não adiantaria eleger um candidato supostamente libertário, se o mesmo tiver como vice um político do antigo Arena – partido da ditadura. O texto enfurece a diretoria da escola e, para não ser expulso, Caio resolve montar uma chapa e se candidatar ao grêmio, porém sem deixar de lado suas convicções antigovernistas. O menino, porém, não consegue lidar por muito tempo com o conflito entre seus ideais e os da escola.

    É interessante observar que mesmo com sua particularidade pontual, cabe ao filme comparações com outros do gênero, como Os Sonhadores, de Bertolucci, e o alemão Edukators, esse último principalmente pela trilha Punk Rock que embala suas cenas. No longa nacional, podemos ouvir canções dos Dead Kennedys, da banda soteropolitana Dever de Classe e até uma menção a Garotos Podres.

    Ao mesmo tempo que resgata o espírito questionador da juventude, grupo que sempre foi apontado como a esperança de um futuro melhor, Depois Da Chuva expõe o sentimento de descrença latente que, infelizmente, parece estar longe de se afastar dos brasileiros.

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