DEPOIS DA TERRA

DEPOIS DA TERRA

(After Earth)

2013 , 100 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 07/06/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • M. Night Shyamalan

    Equipe técnica

    Roteiro: Gary Whitta, Stephen Gaghan

    Produção: Caleeb Pinkett, James Lassiter, Will Smith

    Fotografia: Peter Suschitzky

    Trilha Sonora: James Newton Howard

    Estúdio: Blinding Edge Pictures, Gary Whitta

    Montador: Steven Rosenblum

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Chris Geere, David Denman, Diego Klattenhoff, Glenn Morshower, Isabelle Fuhrman, Jaden Martin, Jaden Smith, Kristofer Hivju, Lincoln Lewis, Monika Jolly, Sacha Dhawan, Sincere L. Bobb, Sophie Okonedo, Will Smith, Zoë Kravitz

  • Crítica

    06/06/2013 08h21

    Por Daniel Reininger

    Após duas horas de um deprimido Jaden Smith correndo em pânico e jogando pedras contra macacos sem um pingo de credibilidade, fica claro que Depois da Terra não é nada além de um presente para um garoto rico de Hollywood. Afinal, carros luxuosos se tornaram comuns, por isso Will Smith decidiu dar a seu filho um blockbuster de verão.

    O cineasta M. Night Shyamalan não acerta há algum tempo, então não chega a ser surpresa sua história sobre pai e filho não agradar. A novidade é a falta de reviravoltas na trama, marca registrada do diretor, e que poderia deixar Depois da Terra menos sonolento.

    O enredo, criado a partir de uma ideia de Will Smith, é ambientado mil anos após os humanos abandonarem a Terra. Estabelecidos no planeta Nova Prime, encontram um terrível inimigo, os Skrel, que consideram o local sagrado, e criaram monstros chamados Ursas para caçarem pessoas. Em meio a isso, o cadete Kitai (Jaden), filho do legendário general Cypher (Will), tenta se aproximar de seu pai após anos separados pela guerra, porém, na primeira viagem juntos, caem na Terra.

    O pano de fundo é muito mais interessante do que a trama do filme em si. Tudo bem que, nesses mil anos, a Terra se tornou um local inóspito e com animais gigantes e violentos, mas além do monstro que estava na nave, não existe perigo real para o garoto - isso fica claro desde o começo. Faltam coadjuvantes para serem mortos e deixarem as coisas tensas, como acontece em Alien – O Oitavo Passageiro ou Predador, por exemplo.

    Em muitos aspectos, Depois da Terra parece um videogame, no qual o herói precisa chegar ao final para recuperar um item escondido, atravessando fases diferentes e lutando contra chefões. Curiosamente, um dos roteiristas, Gary Whitta, é um veterano jornalista de games que já trabalhou até no site IGN. Entretanto, mesmo um jogo de ação precisaria de mais emoção para nos deixar intrigados.

    É difícil se divertir quando nada realmente acontece, além de pai e filho resolverem diferenças por rádio a quilometros de distância um do outro. As discussões são feitas sem interação dos atores, que olham para o nada enquanto soltam suas falas. Embora Zoë Kravitz e Sophie Okonedo tenham pequenas participações como mãe e irmã de Kitai, o longa tem apenas dois personagens relevantes e um deles não sai da nave em nenhum momento.

    Além disso, tecnicamente nada impressiona. Alguns efeitos parecem ter sido feitos às pressas e estão mais para aqueles vistos em séries de TV. Ao menos, o visual assustador das Ursas vale a pena. A direção de arte, por sua vez, exagera na temática "sustentável", que foi pedida por Jaden Smith, e cria ambientes teatrais, compostos basicamente de tecidos brancos - nada práticos. Somente a roupa de sobrevivência usada pelos protagonistas é realmente interessante.

    Depois da Terra não é o pior filme de Shyamalan, não que isso seja grande coisa se considerarmos seus últimos trabalhos, mas não consegue empolgar nem por um minuto. O melhor desta ficção científica é deixar as coisas simples e não colocar o destino da civilização nas mãos do protagonista. Seguindo essa lógica, as coisas poderiam funcionar, era só o cineasta seguir o exemplo de longas intensos, como Dredd, interessante mesmo ambientado apenas dentro de um único prédio. Para os fãs de sci-fi, o mais triste é ver um universo com tanto potencial ser desperdiçado nesta fraca produção.

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