DEPOIS DA VIDA

DEPOIS DA VIDA

(After Life/ Wandafuru raifu)

1998 , 118 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Hirokasu Koreeda

    Equipe técnica

    Roteiro: Hirokazu Koreeda

    Produção: Masayuki Akieda, Shiho Sato

    Fotografia: Yutaka Yamasaki

    Trilha Sonora: Yasushiro Kasamatsu

    Elenco

    Erika Oda, Kei Tani, Susumu Terajima, Takashi Naito

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Um casarão frio e úmido. Uma velha repartição pública, talvez. Ou quem sabe uma escola meio abandonada. Na segunda-feira de manhã, o chefe de um grupo de jovens dá os parabéns pelo trabalho realizado na semana anterior. E avisa que mais trabalho está chegando. Nos primeiros minutos de Depois da Vida, é impossível para o espectador perceber que aquele casarão, na verdade, é uma espécie de parada obrigatória para os mortos. Não há músicas celestiais, nem anjos hollywoodianos, nem harpas, nem portais. Apenas uma forte luz branca e uma neblina espessa.

    Ali, os recém-chegados são recepcionados por uma equipe encarregada de fazê-los pensar naquele que teria sido o momento mais importante de suas vidas. A responsabilidade é infinita: o momento escolhido será transformado em filme e esta será a única lembrança que cada um dos recém-mortos terá por toda a eternidade.

    Extremamente lírico, Depois da Vida é um vigoroso estimulante da imaginação. É praticamente impossível que cada espectador não se projete na tela e não pense qual seria o momento mágico que ele gostaria de eternizar. Ao mesmo tempo, a charada é das mais cruéis, já que escolher um único instante significa forçosamente deletar todos os demais. No filme, assim como na vida, há quem tenha dificuldades de escolher uma única "cena" a ser filmada. E há quem prefira se esquecer de todas. Há aqueles que desperdiçaram todo o tempo do mundo. E os que souberam aproveitar. Nunca o jogo das opções foi tão radical.

    O diretor e roteirista Hirokazu Koreeda, o mesmo de Maborosi - A Luz da Ilusão opta por uma narrativa apropriadamente lenta, que abre espaço para a filosofia e permite os mais variados tipos de reflexão, mas que nem por isso é arrastada, muito menos aborrecida, como muitas vezes acontece com os filmes japoneses. Há até espaço para momentos de humor. Depois da Vida é uma inteligente chamada à auto-análise. Um convite para que o espectador pare, respire, pense e deixe por alguns minutos a correria sem sentido do lado de fora do cinema. Um filme premiado nos festivais de Turim, San Sebastian, Nantes e Bueno Aires.

    17 de junho de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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