DESERTO FELIZ

DESERTO FELIZ

(Deserto Feliz)

2007 , 88 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 28/11/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Paulo Caldas

    Equipe técnica

    Roteiro: Manoela Dias, Marcelo Gomes, Paulo Caldas, Xico Sá

    Produção: Germano Coelho Filho

    Fotografia: Paulo Jacinto dos Reis

    Trilha Sonora: Erasto Vasconcelos, Fábio Trummer

    Elenco

    Aramis Trindade, David Rosenbauer, Elane Nascimento, Hermila Guedes, João Miguel, Magdale Alves, Marília Mendes, Nash Laila, Peter Ketnath, Servílio Holanda, Zezé Motta

  • Crítica

    28/11/2008 00h00

    Deserto Feliz, produção dirigida pelo cineasta pernambucano Paulo Caldas (Baile Perfumado), deu ao diretor o Kikito em 2007, além de ter recebidos os prêmios de Melhor Fotografia, Direção de Arte, Música e Melhor Filme de acordo com o Júri Popular no evento gaúcho, mas somente agora, mais de um ano depois, chega aos cinemas, um reflexo dos problemas que o cinema brasileiro enfrenta junto ao circuito exibidor.

    O filme acompanha a trajetória de Jessica (a estreante Nash Laila), uma jovem de 15 anos que perde a inocência no interior do Estado de Pernambuco. Morando com a mãe (Magdale Alves) e o padastro (Servilio Holanda) numa pequena e humilde casa, ela é explorada sexualmente pelo marido da mãe. O contato com a sexualidade de forma brutal e tão precoce faz com que ela não veja problemas em se prostituir no posto de gasolina local. Logo, ela é levada a Recife por um dos caminhoneiros, onde passa a se prostituir com o sonho que compartilha com tantas profissionais do sexo brasileiras: conhecer um estrangeiro e sair do país em busca de uma vida e um romance idealizado.

    Num primeiro momento, Deserto Feliz lembra muito O Céu de Suely na narrativa que valoriza o silêncio dos personagens numa forma de denotar o vazio que toma conta de suas existências. A comparação com o longa de Karim Aïnouz surge antes mesmo da entrada da atriz Hermila Guedes na trama. Mas as referências não param por aqui: muitos momentos lembram o cinema independente norte-americano, como o uso de vários tipos de lentes e câmeras para denotar os sentimentos pelos quais os personagens passam. Em outros, a referência são filmes de Gus Van Sant, os mais recentes, como Paranoid Park, no qual o diretor norte-americano acompanha seus personagens num único plano-seqüência.

    É evidente a preocupação estética de Caldas, que usa diversas técnicas a serviço de sua história. O que incomoda em Deserto Feliz é que o filme não parece ganhar rumo em nenhum momento. Ao tentar acompanhar seus personagens de perto, numa forma documental semelhante ao cinema feito por Aïnouz, Caldas desenvolve um filme gelado e distante, apesar das intenções não serem estas, especialmente pela incapacidade dos personagens de se relacionarem com o público. Eles não são profundos o suficiente e a história não ganha impulso para seguir sozinha.

    Mesmo assim, trata-se de um retrato honesto sobre o esvaziamento na alma de pessoas que são inseridas socialmente num círculo de desesperança, situação tão comum aos seres humanos em geral, independente de suas condições sociais. Nem a esperança que a protagonista encontra ao conhecer um jovem alemão (Peter Ketnath, de Cinema, Aspirinas e Urubus, e praticamente irreconhecível se comparado ao trabalho no filme de Marcelo Gomes) é capaz de fazer com que ela recupere alguma força suficiente para que saia desse tédio e isso é o mais triste e tocante no longa-metragem.

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