DESONRA

DESONRA

(Bashing)

2005 , 82 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 01/05/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Masahiro Kobayashi

    Equipe técnica

    Roteiro: Masahiro Kobayashi

    Produção: Masahiro Kobayashi, Naoko Okamura

    Fotografia: Kôichi Saitô

    Trilha Sonora: Hiroshi Hayashi

    Estúdio: Monkey Town Productions

    Elenco

    Fusako Urabe, Kikujiro Honda, Nene Otsuka, Ryuzo Tanaka, Takayuki Katô, Teruyuki Kagawa

  • Crítica

    01/05/2008 00h00

    Um dos conceitos orientais mais difíceis de serem amplamente compreendidos pelo mundo ocidental talvez seja o da honra. É nebuloso para nós, à esquerda de Greenwich, captar perfeitamente o sentido da integridade oriental, dos suicídios realizados em nome da honestidade e do grau de importância que a retidão dos comportamentos assume na sociedade asiática. Principalmente na japonesa.

    O filme Desonra (exibido na 29ª Mostra de Cinema de São Paulo como Humilhação) é uma dura e cruel radiografia sobre o tema. Baseado em fatos reais, ele se centraliza em Yuko (Fusako Urabe), uma jovem japonesa que se alistou como voluntária na Guerra do Iraque, mas cometeu o terrível "pecado" de regressar viva à pátria. "Você não foi lá para morrer?", perguntam a Yuko. Exatamente por não ter morrido pelo seu país, Yuko é tratada com paria, agredida física e moralmente, taxada como um câncer a ser extirpado, um símbolo vivo do que pior poderia existir naquela intolerante sociedade oriental. Uma humilhação extensiva à família.

    Escrito e dirigido por Masahiro Kobayashi, Desonra trata do tema de forma árida e contundente. É seco e ríspido como o assunto exige. Os dias de Yuko são sempre nublados, cinzas. Não há cores fortes em sua vida. À exceção dos créditos finais, também não há música. Em seu lugar, um doloroso silêncio sepulcral que amplia ruidosamente os sons de cena, sejam os pneus da bicicleta da protagonista, sejam as ondas do mar que ela ouve da janela do seu apartamento. Mar, por sinal, que pode significar redenção, já que talvez sua única saída seja deixar novamente o seu país/ ilha.

    Desonra critica a intolerância de uma sociedade fechada, ao mesmo tempo em que enfoca este estranho processo de globalização pelo qual todos estamos passando. Numa cena-chave, Yuko, proibida de comprar a tradicional comida japonesa que tanto gosta, contorna o problema com o impessoal lanche de uma lanchonete fast food. É preciso mudar para sobreviver, mesmo que para isso as raízes culturais sejam abandonadas.

    O filme não julga, só mostra, e é perturbador em seu enfoque.

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