DEUS É BRASILEIRO

DEUS É BRASILEIRO

(Deus é Brasileiro)

2001 , 110 MIN.

12 anos

Gênero: Aventura

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Cacá Diegues

    Equipe técnica

    Roteiro: Cacá Diegues

    Produção: Renata Almeida Magalhães

    Fotografia: Affonso Beato

    Trilha Sonora: Chico Neves/ Hermano Viana/ Sérgio Mekler

    Estúdio: Rio Vermelho Filmes

    Elenco

    Antônio Fagundes, Bruce Gomlevsky, Castrinho, Hugo Carvana, Paloma Duarte, Stepan Nercessian, Susana Werner, Toni Garrido, Wagner Moura

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Uma ótima idéia mal aproveitada. Assim pode ser definido Deus é Brasileiro, o novo filme de Cacá Diegues, o mesmo diretor de Bye Bye Brasil e Orfeu, entre vários outros.

    A partir do conto O Santo que não Acreditava em Deus, de João Ubaldo Ribeiro, o filme mostra que o Todo-Poderoso (Antonio Fagundes), cansado dos erros dos Homens, vem à Terra (mais especificamente ao Brasil) em busca de um santo que pudesse substitui-lo por algum tempo. A idéia de Deus é tirar umas férias. Mas para isso Ele vai precisar de ajuda terrena, que surge na figura do malandro Taoca (Wagner Moura). Pelo caminho, Deus e Taoca encontram a bela Madá (Paloma Duarte), formando assim uma espécie de trio de saltimbancos que sai pelo País à procura de um substituto para o Salvador.

    Um excelente ponto de partida, cheio de realismo fantástico, humor e raízes brasileiras. Porém, a tentativa de fazer um road movie caboclo não funciona. A história não decola, o roteiro não flui e fica-se durante o tempo todo com aquela sensação de que o filme "ainda não começou". Talvez parte disso se deva ao falso estilo nordestino - tipo padrão Global - que permeia toda a narrativa. Não se vê em Deus é Brasileiro aquele Nordeste autêntico que vimos, por exemplo, em Central do Brasil, mas sim um país globalmente pasteurizado, mais para Barretão do que para Cacá Diegues. As locações em Alagoas, Pernambuco e Tocantins tiveram uma preocupação mais turística que cinematográfica. Talvez parte disso se deva também à caricata, quase teatral, interpretação de Wagner Moura, que não consegue segurar seu importante papel. É impossível vê-lo e não ter saudades de João Grilo, personagem magnificamente construído por Matheus Nachtergaele para O Auto da Compadecida. Mas o mais provável é que o filme não decole por uma questão de roteiro, sem clímax, irregular, que deixa escapar a oportunidade de se fazer um belo filme sobre as peculiaridades da cultura brasileira.

    29 de janeiro de 2003
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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