DEVOÇÃO

DEVOÇÃO

(Devoção)

2008 , 85 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sérgio Sanz

    Equipe técnica

    Roteiro: Maria Helena Torres, Sérgio Sanz

    Produção: Julia Moraes

    Fotografia: Luís Abramo

    Estúdio: J Sanz Produção Audiovisual

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Agora que o documentário brasileiro atingiu uma posição em que nunca esteve, com números impressionantes tanto de produção como de lançamento em circuito, convém chamar a atenção para alguns aspectos incrivelmente empobrecedores de uma tradição que é rica e passa por obras seminais de Vladimir Carvalho e Eduardo Coutinho. Isso para ficarmos só nos dois melhores e mais prolíficos entre os que se especializaram nesse tipo de cinema, que alguns ainda insistem em dizer que é mais jornalismo do que qualquer outra coisa.

    Franqueza deveria ser uma constante da crítica, mas às vezes, com os egos facilmente melindrados de nossos cineastas, alguns temem palavras mais duras, temerosos de que um rigor maior pudesse ferir relações pessoais ou até prejudicar o lançamento comercial de determinada obra. Apontar esses aspectos pobres, os equívocos que invariavelmente colocam temas fortes debaixo de camadas de conservadorismo formal, deveria ser sempre um dever do crítico, para o bem do cinema, antes de qualquer outra coisa.

    No e-mail de divulgação da sessão para a imprensa de Devoção, lemos o imenso currículo de seu cineasta, Sérgio Sanz, técnico de diversos filmes emblemáticos de nosso cinema e diretor de um documentário em longa-metragem de 2004, Soldado de Deus. Claro que é importante não esquecermos realizações importantes de quem quer que seja, mas não deixa de ser curioso que um e-mail para a imprensa venha acompanhado de informações que estão fora do filme, ausente do que vemos na tela.

    E o que vemos na tela? Um tema por demais interessante, entrevistas muito boas com estudiosos, filmadas do jeito mais conservador e televisivo possível. Sanz esqueceu que o importante não é passar uma noção de dinamismo que a televisão, erroneamente, optou por tornar padrão, com várias inversões de ângulos de câmera e enquadramentos pseudo-artísticos, que isolam o entrevistado em um canto da tela para mostrar um belo arranjo de flores no outro canto. O que importa, realmente, é valorizar a fala e o dono da fala. Às vezes, a melhor maneira de fazer isso é inserindo imagens de arquivo; às vezes, é mostrando o rosto da pessoa em um plano fechado, mas nunca será pela provocação de um dinamismo estéril, que nada acrescenta ao filme.

    Se houvesse uma harmonização entre essa forma quadrada demais e o conteúdo, que é, de fato, estimulante, não haveria tanto problema. Ao cortar as imagens em diversos fragmentos, mantendo o som (técnica de sincronismo prodigiosa, aprendida em eventos gravados pela TV, mas raramente adequada no cinema), Devoção termina por atrapalhar o bom entendimento das entrevistas. Com menos de meia hora, eu já estava quase berrando para que ele parasse com aqueles cortes insistentes e deixasse a pessoa falar em um enquadramento fixo, que respeitasse as expressões, o entorno, nossa própria apreensão do que é dito. Acompanhamos por quase uma hora e meia as mais interessantes falas, mas o sentimento é de que muito do que foi falado nos escapou.

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