DHEEPAN – O REFÚGIO

DHEEPAN – O REFÚGIO

(Dheepan)

2015 , 105 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 29/10/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Jacques Audiard

    Equipe técnica

    Roteiro: Jacques Audiard, Thomas Bidegain

    Produção: Pascal Caucheteux

    Fotografia: Éponine Momenceau

    Trilha Sonora: Nicolas Jaar

    Estúdio: Page 114, Why Not Productions

    Montador: Juliette Welfling

    Distribuidora: Califórnia Filmes

    Elenco

    Bass Dhem, Claudine Vinasithamby, Faouzi Bensaïdi, Franck Falise, Jean-Baptiste Pouilloux, Jesuthasan Antonythasan, Joséphine de Meaux, Kalieaswari Srinivasan, Marc Zinga, Nathan Anthonypillai, Vasanth Selvam, Vincent Rottiers

  • Crítica

    28/10/2015 18h04

    Por Iara Vasconcelos

    Nos últimos meses, voltou a se tornar evidente o drama de milhares de refugiados vindos de países da África e do Oriente Médio que têm enfrentado perigosas travessias por mar e Terra para chegar à Europa a fim de fugir da pobreza e da guerra em seus respectivos países. Embora seja uma questão antiga, o assunto ganhou destaque após a imagem de um menino sírio morto na beira de uma praia na Turquia circular pelos meios de comunicação e virar símbolo máximo dessa crise migratória.

    Além de enfrentar os riscos dessa jornada, essas pessoas ainda precisam lidar com a burocracia para conseguir asilo nesses países e finalmente poder se estabelecer e arranjar um trabalho. Com esse tema tão em voga, não surpreende que o renomado diretor francês Jacques Audiard, que já acompanhou a questão da imigração no filme O Profeta, de 2009, tenha aproveitado para contar a saga de um desses imigrantes e sua chegada à França. O filme foi ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes e é uma das atrações da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

    Na trama, Dheepan (Antonythasan Jesuthasan) um ex-combatente pela independência do Sri Lanka que perde tudo o que tinha na guerra e recebe a chance de recomeçar sua vida na Europa, mas para isso ele precisa fingir que uma mulher desconhecida (Kalieaswari Srinivasan) e uma jovem orfã (Claudine Vinasithamby) são sua família. Após uma longa viagem a bordo de uma embarcação lotada, eles chegam aos subúrbios de Paris, mas lá se deparam com uma realidade tão violenta quanto a de sua Terra Natal e se tornam dependentes um do outro para manterem as aparências e garantirem a permanência no país.

    A trama é centrada em sua maior parte na vida da falsa família no país europeu. Se lá encontram a oportunidade de estudar e ganhar um salário, que parece ser uma fortuna perto do que ganhavam no Sri Lanka, por outro lado conhecem a brutalidade da guerra urbana, já que moram na mesma vila que um grupo de criminosos. No momento em que o líder deles saí da cadeia, a tensão entre duas gangues rivais começa a tornar a convivência no local perigosa, mostrando que há violência também nas nações desenvolvidas.

    Dheepan consegue envolver o espectador facilmente no drama de seus protagonistas e explora bem o conceito de choque cultural – como quando Dheepan fica intrigado por não entender o humor nas piadas francesas – o grande problema é que próximo à conclusão do filme, a narrativa parece abandonar esses personagens e se concentrar em um embate violento envolvendo gangues rivais do bairro, confronto esse que acaba envolvendo o soldado cingalês e sua família, mas a razão para tal acaba não sendo bem justificada.

    As atuações das três figuras centrais também é um ponto alto da produção, já que mesmo com a barreira linguística, os atores conseguem demonstrar um carisma sem igual. Nesses momentos, a linguagem corporal e o olhar desempenham um papel essencial para despertar a empatia do público.

    A fotografia comandada por Éponine Momenceau conseguiu mesclar com suavidade os diferentes graus de intensidade de cada cena e trabalha de forma interessante o enquadramento, como por exemplo nas sequências em que Dheepan e sua esposa observam a atividade das gangues através da janela de casa, como em uma espécie de sessão particular de cinema.

    Mesmo com essa derrapada no final, o valor político de Dheepan  bastante válido. O assunto da imigração não é reservado apenas ao cotidiano internacional, já que o próprio Brasil recebeu sua parcela de estrangeiros, que precisam enfrentar os obstáculos de se adaptar ao cotidiano do país, que mesmo sendo uma nação multicultural, ainda lida de maneira falha com essa questão.

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