DIAMANTE DE SANGUE

DIAMANTE DE SANGUE

(Blood Diamond)

2006 , 141 MIN.

16 anos

Gênero: Aventura

Estréia: 05/01/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Edward Zwick

    Equipe técnica

    Roteiro: Charles Leavitt

    Produção: Darrell Roodt, Edward Zwick, Gillian Gorfil, Graham King, Marshall Herskovitz, Paula Weinstein

    Fotografia: Eduardo Serra

    Trilha Sonora: James Newton Howard

    Elenco

    Benu Mabhena, David Harewood, Djimon Hounsou, Jennifer Connelly, Leonardo DiCaprio, Ntare Mwine, Stephen Collins

  • Crítica

    05/01/2007 00h00

    Se a personagem de Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo (1961) vivesse nos anos 90, provavelmente não teria idéia da procedência dos diamantes que gosta de admirar na vitrine de sua joalheria favorita. Nem os milhões de mulheres que, como ela, sonham com um anel incrustado com um belo diamante. Afinal, ao observar algo tão valorizado como essa pedra em seu estado lapidado, não se tem idéia de como ele pode ter parado lá. Hoje, as pedras que chegam do continente africano têm a garantia de que foram obtidas sem terem sido envolvidas em conflitos civis locais. Pelo menos é o que garantem os grandes comerciantes e, se isso acontece, é por causa da notoriedade mundial de casos como os que ilustram a trama de Diamante de Sangue. Como não poderia deixar de ser, graças à densidade do tema, trata-se de um filme duro e corajoso.

    Diamante de Sangue mostra o encontro de dois personagens que ocupam castas totalmente opostas na sociedade do país africano de Serra Leoa, no fim dos anos 90. Danny Archer (Leonardo DiCaprio) nasceu na África do Sul. Descendente de europeus, acabou sozinho e seguiu o caminho que conseguiu: virou contrabandista de diamantes, os conhecidos como "diamantes de sangue", que financiam os violentos grupos revolucionários do país. Solomon Vandy (Djimon Hounsou) é um simplório pai de família que obtém seu sustento por meio da pesca. Seus destinos se cruzam quando a família de Solo, como é chamado, é capturada pelos guerrilheiros que atuam na região e ele é obrigado a trabalhar numa mina de diamantes. Lá, descobre um gigante diamante rosa, mas não o entrega por ver na pedra a chance de juntar-se novamente à família. Quando ambos são presos, Archer descobre a pedra e, como sempre, movido pela ambição, aproxima-se do pescador para, enfim, tê-la em mãos. Juntos, embarcam numa árdua e violenta jornada através de Serra Leoa, cada um com um objetivo: Archer quer a pedra para conseguir sair do continente como sempre almejou; Solo só pensa em encontrar sua família e, principalmente, o filho, Dia (Kagiso Kuypers), capturado pelos guerrilheiros.

    Esta é a história central de Diamante de Sangue, mas existe uma rica gama de personagens e tramas paralelas que constroem este assustador panorama. Como da jornalista Maddy Bowen (Jennifer Connelly), que, idealista, entra no caminho da dupla protagonista com o objetivo de tornar pública a história de Archer e seus envolvimentos escusos com as empresas que comercializam os "diamantes de sangue" na Europa e EUA. Mas a mais fascinante e assustadora é a que envolve Dia: capturado, torna-se membro do exército de guerrilheiros locais e, ao lado de outras crianças com não mais do que 12 anos, são educados a pegar em armas em nome da revolução numa verdadeira lavagem cerebral.

    Diamante de Sangue serve para afirmar o melhor momento vivido por Leonardo DiCaprio em sua carreira. De galã juvenil em filmes como Romeu + Julieta (1996) e Titanic (1997), agora demonstra maturidade suficiente para compor papéis densos e convincentes como este. Não à toa, é indicado ao Globo de Ouro não somente por esta atuação, mas também em Os Infiltrados - outra excelente performance recente do ator. A arrogância e ganância de seu personagem, no entanto, não seria nada sem o ponto de vista extremamente correto construído por Djimon Hounsou (A Ilha), que também apresenta uma de suas melhores performances, dando a alma necessária para o equilíbrio desta produção.

    A direção assinada por Edward Zwick (O Último Samurai) é caótica, imprimindo bastante tensão ao longa, especialmente nos momentos mais violentos. Quando o foco é voltado à população e à cultura local, ganha uma mão mais documental, lembrando bastante o trabalho de Fernando Meirelles em O Jardineiro Fiel. No começo, a direção caótica ajuda; no entanto, enquanto a produção caminha para o final, existe certa disparidade. O filme não consegue se resolver muito bem e, quando o faz, apela para soluções previsíveis demais, que não acompanham a intensidade presente no resto do longa.

    Mesmo assim, Diamante de Sangue não deixa de ser um relato contundente de uma violenta época que está mais no passado do país do que no presente, já que, hoje, os comerciantes de diamantes lapidados garantem que existe um rigoroso controle em relação à procedência das pedras. A trama, estritamente local, torna-se universal por ter personagens movidos por valores humanos comuns, como a ética, a moral e a ganância. Além disso, ela envolve o espectador ao mostrar a aventura pela qual passam os protagonistas. A história é complicada, bem como o tema abordado - que mexe com as raízes da economia mundial -, lembrando a relação que Syriana - A Indústria do Petróleo tem com o mercado do conhecido como "ouro negro". No entanto, existem mais laços emocionais no roteiro de Diamante de Sangue, criando uma empatia quase que automática com o público.

    É sempre bom manter em mente que a trama, apesar de bastante inspirada pelo documentário Cry Freedom (de Sorious Samura), é fictícia, o que não deixou de preocupar os comerciantes de jóias quando a produção começou a acontecer. No entanto, Diamante de Sangue explora mais os conflitos civis ligados ao comércio ilegal das pedras. Portanto, não há muitas chances das mocinhas pararem de sonhar com jóias cheias de diamantes por causa desta produção, mas sim do espectador se emocionar com a trama envolvente e muito bem interpretada.

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