DIÁRIOS DE MOTOCICLETA

DIÁRIOS DE MOTOCICLETA

(The Motorcycle Diaries)

2004 , 130 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Walter Salles

    Equipe técnica

    Roteiro: Jose Rivera

    Produção: Edgard Tenenbaum, Karen Tenkhoff, Michael Nozik

    Fotografia: Éric Gautier

    Trilha Sonora: Aníbal Kerpel, David Lee Scott, Robert Boyd, Stephen Lotwis

    Distribuidora: Buena Vista Home Entertainment

    Elenco

    Gael García Bernal, Jean Pierre Noher, Rodrigo De La Serna, Ulises Dumont

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Chega às telas brasileiras este fim de semana Diários de Motocicleta, novo longa de Walter Salles sobre a viagem de autodescobrimento que Ernesto Guevara e seu amigo, Alberto Granado, fizeram pela América Latina na década de 50.

    Trata-se de um road movie movido a sentimentos, um deleite para o espectador. A direção conscienciosa de Salles somada à interpretação impecável do ator mexicano Gael Garcia Bernal resultaram numa personificação humanizada do jovem Guevara, na época apenas um rapaz de 23 anos como qualquer outro, de espírito inquieto, mas ainda não voltado para as causas revolucionárias que escreveram seu nome na História.

    Na viagem, iniciada em 1952, Guevara parte de Buenos Aires rumo aos confins da América Latina, um continente para ele ainda pouco conhecido. Acaba descobrindo muito mais que suas características geográficas e climáticas, toma contato também com seus aspectos humanos mais cruéis. No rosto de homens, mulheres e crianças miseráveis, entregues à própria sorte, explorados, destituídos das riquezas de uma terra que pertenceu a seus antepassados, o futuro revolucionário descobre as seqüelas de anos de colonização exploratória e desmedida. Estas revelações atingem com pungência seu espírito sensível e generoso e servem, como revelaria anos mais tarde o próprio Guevara, como centelha para a chama revolucionária que só se apagaria no dia de sua morte.

    Mostrar esse amadurecimento pessoal do jovem Guevara sem apelar para soluções fáceis, de forma sutil, com ritmo e cadência, é um dos grandes méritos de Diários de Motocicleta. Walter Salles teve a sensibilidade e a humildade de interferir o mínimo necessário numa história que falava muito por si mesma. Optou por contemplá-la, moldá-la como filme, abstendo-se de impor um toque autoral. Decisão acertadíssima, assim como a de filmar o longa cronologicamente. Esta última atitude deu a Gael Garcia Bernal a chance de fazer um excelente trabalho. Ele, apesar da pouca idade, atua como um veterano: sem pressa, seguro, com uma naturalidade que impressiona.

    Diários de Motocicleta pode ser considerado o melhor filme de Salles, o mais maduro em sua filmografia. É certo que, depois de brindar o publico com os bons Central do Brasil e Abril Despedaçado, o diretor não precisava mais provar que sabe fazer cinema. Mas em Diários, ele demonstra claramente que vem sabendo manter a humildade, interferindo quando é necessário interferir, observando quando é hora de observar, sempre aberto a sugestões. Em suma, um bom administrador como todo diretor deveria ser, um realizador sem os excessos que um ego inflado costuma prodigalizar.

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