DISPAROS

DISPAROS

(Disparos)

2012 , 82 MIN.

14 anos

Gênero: Ação

Estréia: 23/11/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Juliana Reis

    Equipe técnica

    Roteiro: Juliana Reis

    Produção: Henrique Saladini, Juliana Reis

    Fotografia: Gustavo Hadba

    Trilha Sonora: Mariana Camargo

    Estúdio: Diversid'arte, Escrevendo & Filmes, Quanta Centro de Produções Cinematográficas, Synapse

    Distribuidora: H2O Filmes

    Elenco

    Ana Amélia Vieira, Babu Santana, Bruno Gomes Luiz, Caco Ciocler, Clara Linhart, Cristina Amadeo, Dedina Bernardelli, Ernani Moraes, Fabrício Santiago, Felipe Martins, Gilberto Gawronski, Gustavo Machado, Igor Rickli, João Pedro Zappa, Julio Adrião, Marcelo Pio, Mariah da Penha, Mariana Costa Pinto, Pedro Caetano, Raoni Seixas, Raoni Vidal, Raphael Andrade, Renan Monteiro, Ronaldo Reis, Shirley Cruz, Silvio Guindane, Thelmo Fernandes

  • Crítica

    21/11/2012 19h01

    Por Daniel Reininger

    Poucos filmes brasileiros procuram alcançar meio termo entre a produção para o grande público e aquela voltada para festivais. Esse era exatamente o plano da diretora estreante Juliana Reis quando concebeu Disparos. O seu thriller policial é diferente do esperado, não tem um tiro sequer e funciona como um mosaico de casos comuns voltado para o lado psicológico e as relações entre os personagens diante do caos urbano.

    Baseado em uma história real, vivida por um amigo da diretora, a trama mostra uma tentativa de assalto a Henrique, renomado (ao menos ele se considera assim) e arrogante fotógrafo carioca. Dois motoqueiros o abordam enquanto sai de uma sessão de fotos em uma boate gay na Lapa e, mesmo sob a mira de uma arma, ele reluta a entregar o cartão de memória com seu trabalho. Nesse momento, um carro atropela os motociclistas e foge da cena do crime. Atônito, o personagem de Gustavo Machado só quer se livrar de toda aquela confusão e ir embora para casa, mas sua atitute insolente e desdenhosa com as autoridades o coloca em rota de colisão com o inspetor Freire, interpretado por Caco Ciocler.

    A força da trama vem exatamente da relação conturbada entre Henrique e Freire, que resolve infernizar a vida do fotógrafo mal educado e dar-lhe uma lição. Começa então uma verdadeira perseguição psicológica, que ganha força na atuação genial da dupla de protagonistas. Não à toa, Ciocler ganhou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival do Rio.

    O trabalho impecável aparece também na montagem. Não linear, é capaz de deixar o espectador tenso e interessado ao longo de todo o filme, mesmo quando algumas cenas deixam a desejar. Cada detalhe é apresentado conforme se torna importante para a história. A bela, desfocada e escura fotografia é de extrema importância para o clima de decadência e impotência, elementos chaves de Disparos.

    O longa se perde quando mostra histórias paralelas, como a de um homossexual vítima de "boa noite, Cinderela",da mulher de Henrique em meio a uma crise nervosa ou do assaltante que sobreviveu ao incidente. Essas tramas não colaboram com a obra e, embora também tratem de diversos tipos de violência, carecem de profundidade e criatividade para se mostrarem relevantes. Alguns momentos desnecessários só servem para tirar de vez o espectador do clima do longa.

    Disparos é um filme complexo, capaz de transitar entre o mal-estar e as risadas dos espectadores, de forma natural, com algumas tiradas inteligentes e frases de efeito. A estreia de Juliana Reis mostra o potencial da diretora, mas é de se pensar como essa obra seria se cada uma das histórias paralelas recebesse o mesmo cuidado da trama principal.

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