DISTRITO 9

DISTRITO 9

(District 9)

2009 , 112 MIN.

14 anos

Gênero: Ficção Científica

Estréia: 16/10/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Neill Blomkamp

    Equipe técnica

    Roteiro: Neill Blomkamp, Terri Tatchell

    Produção: Carolynne Cunningham, Peter Jackson

    Fotografia: Trent Opaloch

    Trilha Sonora: Clinton Shorter

    Estúdio: Block / Hanson, District 9, TriStar Pictures, WingNut Films

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Absalom Dikane, Alan Glauber, Andre Odendaal, Anthony Bishop, Anthony Fridjohn, Antony Sarak, Barry Strydom, Beauty Setai, Billy Somagaca, Bongo Mbutuma, Brandon Auret, Claudine Bennent, Craig Jackson, Daniel Hadebe, Danny Datnow, David Clatworthy, David Dukas, David James, David Mikhethi, Den Antonakas, Donalson Rabisi, Elizabeth Mkandawie, Eugene Khumbanyiwa, Fernando Saraiva, Gideon Thodane, Greg Melvill-Smith, Hlengiwe Madlala, Jacques Gombault, Jason Cope, Jed Brophy, Jeffries Simelane, Johan van Schoor, John Ellis, John Jacob, John Sumner, Johnny Selema, Justin Duplessis, Justin Strydom, Kenneth Nkosi, Kuda Rusike, Leigh Mashupye, Louis Minnaar, Louise Saint-Claire, Mahendra Raghunath, Mampho Brescia, Mandla Gaduka, Marian Hooman, Mashabela Galane, Matt Stern, Mdu Mthabela, Melt Sieberhagen, Mfazwe Sekobane, Michelle Ayden, Mike Huff, Monthandazo Thomo, Morena Busa Sesatsa, Morena Setatsa, Morne Erasmus, Mpho Molao, Mzwandile Nqoba, Nathalie Boltt, Nicholas Ratlou, Nick Blake, Nick Boraine, Nicolas Herbstein, Nkiyase Mondlana, Norman Anstey, Norman Thabalala, Ntombi Nkuua, Phillip Mathebula, Robert Hobbs, Rodney Downey, Ryan Whittal, Saint Gregory Nwokedi, Shafique Allan, Sharlto Copley, Sharon Waugh, Shiela Nene, Sibulele Gcilitshana, Simo Mogwaza, Siphiwe Mbuko, Siyabonga Radebe, Sonni Chidiebere, Stella Steenkamp, Sylvaine Strike, Themba Nkosi, Theunis Nel, Tim Gordon, Vanessa Haywood, Vittorio Leonardi, Wendy Mbatha, Wikus Van De Merwe, William Allen Young, Wisani Mbokota, Yashik Maharaj, Zephania Sibanda

  • Crítica

    13/10/2009 18h45

    Quando o sul-africano Neill Blomkamp se desligou do projeto de dirigir a adaptação cinematográfica do videogame Halo - que ainda existe, previsto para 2012 -, o cineasta e produtor Peter Jackson [a mente por trás de O Senhor dos Anéis] ofereceu US$ 30 milhões para Blomkamp fazer o que quisesse. O que seria o sonho de qualquer cineasta início de carreira [este é o primeiro longa de Blomkamp] nada mais era do que sexto sentido cinematográfico do experiente Jackson. O resultado é Distrito 9, um dos mais novos fenômenos de bilheteria dos EUA, onde faturou US$ 114 milhões. Isso porque dificilmente um filme com indicação R [indicado para maiores de 17 anos] atinge um grande faturamento nos cinemas, como é o caso.

    Surpreendentemente parada sobre Johannesburgo – e não em Washington ou Nova York, como outras ficções científicas -, uma gigantesca nave espacial despeja milhares de seres extraterrestres na maior cidade da África do Sul e permanece vinte anos pairando sobre o Distrito 9, como ficou conhecida a área onde os aliens permanecem isolados, em meio a impossibilidade de voltar para casa. Os humanos passam duas décadas sem saber o que fazer com os novos habitantes da cidade que, com o tempo, constroem barracos – como as favelas que tão bem conhecemos – e partem para a marginalidade, roubando tênis e celulares dos humanos – verdadeiros trombadinhas num apartheid intergaláctico. Até que a Agência MultiNacional Unida, criada para “cuidar” desses alienígenas, tem a “brilhante” ideia de realocá-los, construindo tendas a mais de 100 quilômetros de Johannesburgo para isolar mais ainda os visitantes intergalácticos. A situação, que já se encontrava à beira do caos, torna-se incontrolável quando o improvável líder do processo de locomoção, o atrapalhado Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley), sofre um acidente.

    A premissa de Distrito 9 é baseada no curta-metragem Alive in Joburg (2005), escrito e dirigido por Blomkamp. Foi nesse trabalho que o diretor trabalhou pela primeira vez com Copley, que nem tinha intenções de seguir como ator, mas agradou tanto como o protagonista desta ficção científica que ele será o capitão Murdock da adaptação cinematográfica de Esquadrão Classe A. E nenhum lugar melhor do que a cidade sul-africana – que, até 1994, separava e isolava os negros nos Soweto, bairro de periferia que abriga as favelas da cidade – para ambientar este longa, que ultrapassa as barreiras do gênero “filme de extraterrestres”.

    O começo de Distrito 9 é conduzido de maneira documental, com depoimentos e todos os elementos do gênero. O espectador demora a saber o que está acontecendo. E é assim, aos poucos, que Blomkamp conquista a atenção de seu público, criando um clima de tensão que chega a ser palpável. Os alienígenas, apelidados de “camarões”, têm uma aparência que lembra um inseto. Não à toa, em dado momento o filme dialoga com A Mosca, clássico do terror dirigido por David Cronenberg em 1986. São assustadores e completamente convincentes, especialmente pela forma documental como são mostrados. Distrito 9 é tão feliz ao misturar elementos reais aos ficcionais que a tensão é inevitável. As criaturas são convincentes pelo excelente trabalho em CGI do longa, não somente na criação visual dos extraterrestres, mas na forma como eles são inseridos na realidade de Johanesburgo, interagindo com seres humanos.

    O filme extrapola seu gênero por construir a tensão social espelhada no real clima de intolerância que tomou conta de Johannesburgo durante o apartheid. O clima, aliás, é provocado não somente pela segregação racial, mas principalmente pela desigualdade social. Mesmo sendo seres de outro planeta, os alienígenas acabam sendo corrompidos pela precária sobrevivência que conseguem levar no Distrito 9, não somente isolados, mas também reprimidos por uma violenta gangue de imigrantes nigerianos que dominam o local, não bastando o fato de estarem impossibilitados de voltar para casa. Assim, não é o fim do apartheid - ou a presença dele em dado momento histórico – que define o tipo de ambiente criado pela presença dos alienígenas na cidade. É, portanto, uma ficção com fortes raízes na realidade, o que o torna único em seu gênero.

    Combinando uma boa dose de ironia, drama, excelentes efeitos especiais e um protagonista forte, Distrito 9 faz o quase impossível: tornar acreditável uma ficção científica.

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