DJANGO LIVRE

DJANGO LIVRE

(Django Unchained)

2012 , 165 MIN.

16 anos

Gênero: Faroeste

Estréia: 18/01/2013

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Quentin Tarantino

    Equipe técnica

    Roteiro: Quentin Tarantino

    Produção: Harvey Weinstein, Pilar Savone, Reginald Hudlin, Stacey Sher

    Fotografia: Robert Richardson

    Trilha Sonora: Mary Ramos

    Estúdio: Columbia Pictures, Double Feature Films, Super Cool Man Shoe Too, The Weinstein Company, Too Super Cool ManChu

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Anthony LaPaglia, Catherine Lambert, Christoph Waltz, Christopher Berry, Cooper Huckabee, Dana Michelle Gourrier, Danièle Watts, David Steen, Dennis Christopher, Don Johnson, Evan Parke, Gary Grubbs, Gerald McRaney, Jake Garber, James Remar, james Russo, Jamie Foxx, Johnny McPhail, Johnny Otto, Justin Hall, Kerry Washington, LaTeace Towns-Cuellar, Laura Cayouette, Leonardo DiCaprio, Lewis Smith, M.C. Gainey, Michael McGinty, Miriam F. Glover, Misty Upham, Mustafa Harris, Nichole Galicia, Rex Linn, Samuel L. Jackson, Shannon Hazlett, Sharon Pierre-Louis, Todd Allen, Tom Savini, Tom Wopat, Walton Goggins

  • Crítica

    13/01/2013 14h29

    Quentin Tarantino é um artesão da contextura cinematográfica, que deixa sua inconfundível digital em tudo o que faz. Seu novo longa é ambientado na América do Norte escravocrata do século 19, quatro anos antes da Guerra da Secessão. É um western spaghetti, campo em que o cineasta se aventura pela primeira vez. Pano de fundo e gênero, no entanto, pouco importam. Django Livre é uma típica obra de Tarantino, com todas as peculiaridades que perfazem o estilo do diretor: diálogos improváveis, humor desconcertante, esguichos de sangue exagerados e trilha sonora de primeira.

    Seu personagem principal chama-se Django (Jamie Foxx), homenagem ao icônico pistoleiro do longa italiano de Sergio Corbucci, lançado em 1966 e estrelado por Franco Nero, que faz uma ponta aqui. O Django de Tarantino é negro, um escravo cuja liberdade é comprada pelo caçador de recompensas alemão Dr. King Schultz (Christoph Waltz). Depois de ajudar este a eliminar um bando de criminosos, Django vai em busca da mulher (Kerry Washington), vendida para o desumano fazendeiro Calvin Candie (Leonardo DiCaprio).

    Com é comum ao cinema de Tarantino, Django Livre é pontuado de momentos-surpresa e sequências criativas que brilham independentes dentro do filme. Num desses momentos inspirados, um fazendeiro racista, interpretado por Don Johnson, reúne uma espécie de embrião da Ku Klux Klan para atacar Django e Schultz. Uma discussão impagável sobre o uso dos sacos brancos na cabeça diverte e, ao mesmo tempo, consegue expor a idiotice irracional do racismo, numa crítica, mesmo que bem humorada, contundente à estupidez daqueles que massacraram outros simplesmente por causa da cor de sua pele.

    A habilidade de Tarantino em dar solidez narrativa a seus filmes passa também pela direção dos atores. O desempenho do elenco em Django Livre é elogiável e os personagens muito bem desenvolvidos. Christoph Waltz, que brilhou em Bastardos Inglórios como o sarcástico coronel Hans Landa, arrebata mais uma vez como o tagarela, cínico e divertido Dr. Schultz, um tipo pragmático que despreza a escravidão. É um prazer ver o ator dando vida ao personagem, como também é um deleite para o espectador acompanhar o desenvolvimento de Django, que cresce gradualmente na tela passando de um apático escravo acorrentado para um herói confiante.

    Tarantino consegue extrair o melhor de Waltz, Foxx e de Leonardo DiCaprio, ótimo como o poderoso e indigesto latifundiário Calvin Candie. Merece também ser destacada a participação de Samuel L. Jackson. Caracterizado como um velho escravo de Candie – num trabalho de maquiagem elogiável - o ator toma conta do filme quando entra em cena. Seu personagem é divertido e o mesmo tempo execrável. Por sinal, foi classificado pelo próprio diretor como o "preto mais desprezível" da história do cinema. E é.

    O longa perde um pouco de ritmo e criatividade em seu final, principalmente considerando-se que estamos falando de Tarantino, que costuma apresentar desfechos refinados e iventivos para seus filmes. Não é o que acontece aqui, fato perdoável em roteiristas menos inspirados, mas iconcebível em se tratando do autor de Pulp Fiction - Tempo de Violência. A breve derrapada, todavia, não compromete mais este competente trabalho do cineasta, que fez em Django Livre uma sangrenta homenagem aos spaghetti westerns e também uma divertida, porém contudente, crônica de um capítulo lamentável da história americana.




Deixe seu comentário
comments powered by Disqus