DO INFERNO

DO INFERNO

(From Hell)

2001 , 121 MIN.

18 anos

Gênero: Suspense

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Albert Hughes, Allen Hughes

    Equipe técnica

    Roteiro: Rafael Yglesias, Terry Hayes

    Produção: Don Murphy, Jane Hamsher, Kevin J. Messick

    Fotografia: Peter Deming

    Trilha Sonora: Marilyn Manson, Trevor Jones

    Elenco

    Heather Graham, Ian Holm, Ian Richardson, Joanna Page, Johnny Depp, Paul Rhys, Robbie Coltrane, Susan Lynch

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Londres, século 19. Prostitutas são assassinadas e meticulosamente mutiladas nas ruas escuras do bairro pobre de Whitechapel. A polícia não tem pistas. Nasce a centenária lenda de Jack, o Estripador. Como o caso nunca foi completamente esclarecido, e o criminoso nunca foi preso, o tema é um prato cheio para o cinema que já realizou dezenas de produções e milhares de especulações sobre o assunto. Existe apenas a certeza de que o criminoso cometeu cinco assassinatos durante o período de dez semanas, no outono de 1888, com requintes de extrema crueldade.

    Nesta nova versão (baseada na história em quadrinhos “From Hell”, escrita por Alan Moore e ilustrada por Eddie Campbell em 1999), o detetive Fred Abberline é interpretado por Johnny Depp (de A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça) e a prostituta Mary Kelly vivida por Heather Graham (de Perdidos no Espaço).

    Retomar novamente uma história já bastante explorada pelo cinema só se justificaria por dois motivos: apresentar uma nova versão de argumento ou utilizar técnicas mais modernas de filmagem. Ambos os quesitos são cumpridos no filme. O novo roteiro relaciona os crimes com as mais altas esferas da realeza britânica. E as técnicas usadas pelos diretores (os irmãos gêmeos Albert e Allen Hughes, os mesmos de Perigo Para a Sociedade) conferem a Do Inferno uma narrativa ousada, de extrema violência gráfica. Experimentos com diferentes texturas de películas e lentes proporcionam ao filme um visual gótico, requintado, sublinhado por belas locações feitas em diversos castelos medievais nos arredores da cidade de Praga. O clima é lúgubre, escuro. A direção prefere os caminhos do terror que propriamente da investigação policial.

    O clima de tensão é obtido com eficiência e a produção é requintada e detalhista. O bairro de Whitechapel, por exemplo, foi totalmente reconstruído cenograficamente, numa área de 80 quilômetros quadrados. Usando centenas de fotos e desenhos detalhados, o grande cenário foi desenhado em uma semana. Uma equipe de 170 carpinteiros, pintores e artesãos trabalhou durante 12 semanas na sua construção, que contou até com ruas feitas com centenas de pedras centenárias emprestadas pelas cervejarias e instituições cívicas locais. Como na época da filmagem Praga estava sendo restaurada, com a reforma de muitas de suas ruas, as pedras puderam ser emprestadas à produção. Dois pintores britânicos foram especialmente trazidos da Inglaterra para que fosse dada a coloração apropriada ao envelhecimento do exterior do cenário. Há mais de 60 papéis com falas, e 250 figurantes em roupas da época vitoriana. Mais de 400 trajes foram criados para o filme. Para a reconstituição dos crimes, mais especificamente da posição em que os corpos foram encontrados, tamanho e profundidade das incisões, foi obtida ajuda dos arquivos da própria Scotland Yard.

    Todo este trabalho, porém, não foi reconhecido pelo grande público. Os US$ 35 milhões que o filme custou não retornaram nas bilheterias norte-americanas.

    8 de janeiro de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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