DO OUTRO LADO

DO OUTRO LADO

(Auf Der Anderen Seite)

2007 , 122 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 04/07/2008

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Fatih Akin

    Equipe técnica

    Roteiro: Fatih Akin

    Produção: Andreas Thiel, Fatih Akin, Klaus Maeck

    Fotografia: Rainer Klausmann

    Trilha Sonora: Shantel

    Estúdio: Norddeutscher Rundfunk (NDR)

    Elenco

    Baki Davrak, Hanna Schygulla, Lars Rudolph, Nurgül Yesilçay, Nursel Koese, Patrycia Ziolkowska, Tuncel Kurtiz

  • Crítica

    04/07/2008 00h00

    Em 2004, Fatih Akin, cineasta alemão filho de turcos, realizou Contra a Parede, filme defendido por muitos como um singelo retrato da imigração por meio da história de um casal formado por conveniência. Como era de se esperar, esse casal começa a se aproximar por artimanhas dos corações, e a maneira como o diretor capta essa aproximação traz bons e maus momentos, em uma autêntica gangorra cinematográfica.

    Agora, com Do Outro Lado, Akin volta à sua direção gangorra e podemos dizer que tal brinquedo atinge picos mais altos, mas também resvala no chão com mais freqüência. São especialmente felizes os momentos de aproximação entre os personagens, seja do viúvo com a prostituta turca, da filha dela com uma alemã, ou da mãe da alemã com o filho do viúvo.

    Sempre que temos personagens realizando movimentos de encontro, tentando ajudar efetivamente, ou entender o próximo, o filme se torna uma sensível observação sobre as relações humanas. No entanto, Akin insiste em se submeter a um roteiro falsamente engenhoso, que abusa de desencontros unicamente para se filiar a um modismo recente, que obriga os autores a distanciar suas histórias uma das outras. Em alguns momentos, é extremamente irritante a insistência do diretor ao promover essas situações que colocam pessoas que se procuram - mas não se conhecem - em tempos e espaços coincidentes. A aflição é provocada com certa habilidade, mas, se o que nos resta é esse único sentimento, o filme acaba perdendo o laço necessário para que o envolvimento do espectador com os personagens seja completo - fator essencial para que o longa funcione na chave humanista a que ele pretende se afiliar.

    Como esses desencontros acontecem toda hora, ficamos nos perguntando quando as pessoas irão se encontrar e como se dará esse encontro. Portanto, era de se esperar uma condução mais satisfatória das pequenas tramas engendrando os destinos, mas o que temos são soluções forçadas de roteiro. Um belo exemplo é o episódio da morte de Lotte (Patrycia Ziolkowska). Sabemos antes da loira aparecer que ela vai morrer, porque o episódio é assim enunciado. Seu envolvimento amoroso com a filha da prostituta e com os problemas políticos que enfrenta, por ser considerada subversiva na Turquia, é mostrado com rara beleza. Mas a cena na qual ela é assaltada e a conseqüência desse assalto - que envolve uma arma e uma perseguição pelas ruas de Istambul - constrange pela encenação descuidada e pela arbitrariedade da coisa toda. Sentimos que Lotte é uma personagem marionete, criada unicamente para sensibilizar os espectadores mais jovens e politicamente corretos.

    Mesmo a delicada presença de Hanna Schygulla, atriz-chave de vários filmes de Rainer Werner Fassbinder (ambos trabalharam juntos em O Casamento de Maria Braun, Lili Marlene, As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant e um punhado de outras parcerias), incomoda por ser mais um personagem clichê. A senhora sensível, mãe de Lotte, que renega os próprios preconceitos por amor à filha, é mais um truque de roteiro para nos sensibilizar (mote principal do filme, ao que parece); quando percebemos isso, a empatia pela personagem se torna mais difícil. Outro truque visível entre as duas histórias - que correm em paralelo, ameaçando se tocar em vários momentos - é a exploração de uma possível ligação entre o filho do viúvo e a filha da prostituta.

    A cena final, calma, quieta, belíssima, não redime Do Outro Lado de ser mais uma bem-intencionada peça cinematográfica que se apóia em fórmulas de sucesso do cinema de arte. Por isso, não dá para levar muito a sério suas manobras para atingir o espectador. Percebemos, no fim das contas, que tudo ali é calculado demais para que haja uma abertura às emoções. E de meras recitações de cartilhas já estamos cheios.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus