DO OUTRO LADO DA LEI

DO OUTRO LADO DA LEI

(El Bonaerense)

2002 , 105 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Pablo Trapero

    Equipe técnica

    Roteiro: Daniel Valenzuela, Dodi Shoeuer, Nicolas Gueilburt, Pablo Trapero, Ricardo Ragendorfer

    Produção: Pablo Trapero

    Fotografia: Guillermo Nieto

    Trilha Sonora: Pablo Lescano

    Estúdio: Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA)

    Elenco

    Darío Levy, Hugo Anganuzzi, Jorge Román, Mimí Ardú, Víctor Hugo Carrizo

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Se você acha que a corrupção dentro da polícia é algo que incomoda somente a sociedade brasileira, espere para ver Do Outro Lado Da Lei e perceba que, pelo visto, não estamos sozinhos nisso. O filme, dirigido por Pablo Trapero, mostra que, nas ruas da capital argentina, as "mutretas" e a violência prevalecem quando se trata dos policiais locais, também conhecidos como "Bonarenses".

    O filme acompanha Zapa (Jorge Román), um chaveiro que mora em uma pequena e pacata cidade no interior da Argentina. Ele vive uma vidinha bem monótona até que, depois de abrir um cofre achando que aquilo se tratava de um trabalho como outro qualquer, é acusado de ter roubado a empresa. É quando seu tio, um policial aposentado, o manda para Bueno Aires para que ele seja policial. Zapa entra para a academia - apesar de ser mais velho do que o permitido - enquanto está trabalhando em uma delegacia. Aos poucos, começa a ter contato com esse novo mundo. Além de ter de viver no dia-a-dia caótico da cidade grande, Zapa deve se acostumar com esta nova "profissão".

    Do Outro Lado Da Lei, na verdade, não serve somente para denunciar a deturpação de valores éticos dentro da polícia argentina: a produção também mostra como o meio pode mudar o homem. No começo do filme, Zapa - sempre com uma cara de "pobre coitado" - não passa de um caipira. Depois que se muda a Buenos Aires, torna-se um policial corrupto. Mas, calma: esse final não chega a ser novidade para o espectador. Afinal, Zapa é um homem tão fraco que baixa a cabeça para todos e não consegue se impor exatamente porque tem medo, como um cão acuado. Por esse motivo, o meio onde vive é extremamente importante para sua formação. É obvio que seus companheiros de corporação modificariam a forma que ele vê o mundo. Para ele, tanto faz ser chaveiro ou policial; viver no interior ou na capital; ficar com sua professora ou não.

    Sim, Do Outro Lado da Lei é cru, violento, denso, claustrofóbico, até. Sim, dá raiva a forma como Zapa se deixa levar por todas as situações sem esboçar qualquer reação: não se sabe se ele é bom ou ruim de tão insosso que o personagem é durante toda a película. O filme também parece ficar em cima do muro demais, o que não poderia acontecer, pois todo o seu formato - desde a fotografia crepuscular até o roteiro, que explora assunto, no mínimo, contestador - pede uma posição. Assim como Zapa, Do Outro Lado da Lei é insosso demais. Falta um foco.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus