DOGVILLE

DOGVILLE

(Dogville)

2003 , 177 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Lars von Trier

    Equipe técnica

    Roteiro: Lars von Trier

    Produção: Vibeke Windeløv

    Fotografia: Anthony Dod Mantle

    Trilha Sonora: Antonio Vivaldi

    Estúdio: arte France Cinéma, Canal+, CoBo Fonds, Danish Broadcast Corporation, Det Danske Filminstitut, Edith Film Oy, Eurimages, European Regional Development Fund, Film Fund of the Netherlands, Film i Väst, Filmstiftung Nordrhein-Westfalen, Finnish Film Foundation, Foundation for Audiovisual Production, France 3 Cinéma, Invicta Capital, Isabella Films B.V, Memfis Film, Nederlandse Programma Stichting (NPS), Nordisk Film- & TV-Fond, Norsk TV2 AS, Pain Unlimited GmbH Filmproduktion, Sigma Films, Slot Machine, Spillefilmkompaniet 4 1/2, Svenska Filminstitutet (SFI), Sveriges Television (SVT), WDR / Arte, YLE TV1, Zentropa Entertainments

    Elenco

    Andreas Galle, Anna Brobeck, Barry Grant, Ben Gazzara, Bill Raymond, Blair Brown, Chloë Sevigny, Cleo King, Eric Voge, Erich Silva, Evelina Brinkemo, Evelina Lundqvist, Hans Karlsson, Harriet Andersson, Helga Olofsson, Ingvar Örner, James Caan, Jan Coster, Jean-Marc Barr, Jeremy Davies, John Hurt, John Randolph Jones, Kent Vikmo, László Hágó, Lauren Bacall, Lee R. King, Mattias Fredriksson, Mikael Johansson, Miles Purinton, Nicole Kidman, Niklas Henriksson, Oskar Kirkbakk, Ove Wolf, Patricia Clarkson, Paul Bettany, Philip Baker Hall, Shauna Shim, Siobhan Fallon, Stellan Skarsgård, Thom Hoffman, Tilde Lindgren, Udo Kier, Ulf Andersson, Zeljko Ivanek

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Qual será o segredo do cineasta dinamarquês Lars Von Trier? Seu filme Os Idiotas - uma bobagem - foi aplaudido em festivais do mundo inteiro. Depois, Dançando no Escuro - bem melhor, mas longe de ser uma obra-prima - foi ovacionado pela crítica internacional e chegou até a badalação do Oscar. E agora o simplesmente bom Dogville entra em cartaz com status de genial e revolucionário. Talvez seja o marketing pessoal de Trier. Não sei. Mas o fato é que de tempos em tempos a mídia elege os seus "queridinhos", cineastas de algum talento que são imediatamente taxados como gênios da raça. Já foi assim com Jim Jarmusch, Alex Cox, Tarantino e talvez agora seja o "momento" Lar Von Trier.

    O crítico e colega Rubens Ewald Filho tem chamado este fenômeno (filmes ou cineastas mais ou menos que se transformam em verdadeiros eventos) de "alucinação coletiva". A expressão é bem apropriada.

    Mas, falando especificamente de Dogville, o filme tem um clima sombrio, provocativo e envolvente. Fala de uma cidade minúscula, perdida nas montanhas dos EUA, onde nada acontece. Até o dia em que a bela Grace (Nicole Kidman, ótima novamente), mulher altamente sofisticada que nunca trabalhou na vida, aparece no lugar, fugindo de um grupo de mafiosos. O jovem Thomas Edison Júnior (Paul Bettany, de Uma Mente Brilhante) decide acolhê-la e escondê-la na cidade. Mas, como a vila é muito pequena, muito em breve todos saberiam da estranha presença de Grace no lugar. Thomas decide então consultar os habitantes de Dogville para saber se eles aceitam ou não dar guarida à moça. Uma votação decide que sim, desde que ela pague prestando pequenos serviços à comunidade. Aos poucos, a mulher sofisticada de mãos imaculadas começa a pegar no pesado, plantando flores aqui, ajudando uma inválida ali, contando história para um velho cego acolá. Uma situação de frágil equilíbrio que não vai demorar para desmoronar.

    O intrigante roteiro - também de autoria de Trier - dá margem a muitas leituras e propõe várias interpretações interessantes. Disseca a maldade da alma humana, desafia os dogmas da democracia (todos votam em Dogville, desde que seja para manipular seus interesses pessoais) e analisa, no microcosmo daquela vila, os mais mórbidos caminhos que a mente percorre em situações de adversidade.

    Isso sem falar nos sugestivos nomes dos personagens: quem engedra toda a ação é Thomas Edison Júnior, nome emprestado do famoso inventor americano, tido por uns como um grande gênio e por outros como um mau caráter, ladrão de idéias. É a infinita incoerência interna da América, sintetizada num único personagem. E quem leva nossos ares à vida é Grace, "graças" aos céus.

    Bem dirigido e bem interpretado, Dogville tem um grande demérito para os fãs de cinema: toda a ação se passa única e exclusivamente sobre um imenso palco, onde os locais que seriam ocupados pelas casas e pelas ruas da cidade não passam de marcas de giz desenhadas no chão. O recurso pode ter sido imensamente barato, mas é cansativo. Principalmente após quase três horas de projeção. É um bom filme? Sem dúvida. Mas está longe de ser a revolução que os seguidores de Trier querem nos fazer crer.

    Em tempo: Dogville será o primeiro filme de uma trilogia que o diretor filmar, sob o sugestivo nome de EUA - Terra das Oportunidades.

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