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DOIS DIAS, UMA NOITE

(Deux Jours, Une Nuit)

2014 , 95 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 05/02/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne

    Equipe técnica

    Roteiro: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne

    Produção: Denis Freyd, Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne

    Fotografia: Alain Marcoen

    Estúdio: Les Films du Fleuve

    Montador: Marie-Hélène Dozo

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Alain Eloy, Anette Niro, Batiste Sornin, Catherine Salée, Christelle Delbrouck, Fabienne Sciascia, Fabrizio Rongione, Hassaba Halibi, Hicham Slaoui, Lara Persain, Marion Cotillard, Myriem Akeddiou, Philippe Jeusette, Pili Groyne, Rania Mellouli, Safia Gollas, Simon Caudry, Soufiane Jilal, Timur Magomedgadzhiev, Yohan Zimmer

  • Crítica

    05/02/2015 15h20

    Os irmãos Dardenne estão no roll dos diretores mais respeitados pela crítica europeia na atualidade. Tamanho reconhecimento não é exagero, já que filmes como A Criança e O Garoto da Bicicleta mostram um olhar crítico e ao mesmo tempo sensível sobre a realidade do continente. 

    Dois Dias, Uma Noite é um novo passo nessa trajetória, um olhar sobre a apatia nas relações privadas. Ao voltar seus olhares para a crise econômica que a Europa vive nos últimos anos, a dupla belga criou um filme que sai de sua temática e atinge objetivos maiores, algo como uma reflexão simples, mas honesta da condição humana.

    O filme acompanha Sandra (Marion Cotillard, indicada ao Oscar de melhor atriz), uma mulher que perde o trabalho após uma disputa difícil: seus companheiros precisaram decidir entre aceitar o bônus anual ou mantê-la em seu posto de trabalho.

    Mas o chefe de Sandra está disposto a repetir a votação. Isso dá à protagonista um fim de semana - dois dias e uma noite - para convencer a maioria de seus 16 colegas a votarem pela sua permanência.

    Não é uma decisão fácil e o roteiro de Jean-Pierre e Luc dá conta de transitar sobre todas as possibilidades éticas que envolvem a decisão, que é sim pessoal, mas reverbera em questões morais. O filme é composto em grande parte desses encontros, da protagonista destituída de toda e qualquer vaidade tentando convencê-los de que devem tomar uma decisão altruísta.

    Esse despreendimento é refletido na própria Sandra, sempre vestida casualmente, os cabelos bagunçados, a expressão desesperançosa. Marion Cotillard mostra, assim como em Era Uma Vez Em Nova York, que tem a sensibilidade de tomar para si cada sequência, retratando uma certa melancolia e criando uma personagem crível, complexa e de fácil identificação. 

    Embora a estrutura do roteiro seja simples e despretensiosa, há espaço para revelações sobre a vida desses personages. A relação de Sandra com o marido (o também ótimo Fabrizio Rongione), seus dramas pessoais que tanto dizem sobre suas atitudes. A crítica ao capitalismo predatório e à desumanização do mundo do trabalho está em seu texto, mas nunca exageradamente explícita ou panfletária.

    Ao final desse calvário, a grande questão: destituídos de nossas individualidades, há caminho para vivermos em comunidade? Se no nosso mundo as relações econômicas assumiram o protagonismo, a busca pela humanização de nossas relações cotidianas é o que ainda nos resta. Pelo menos é nisso que os Dardenne acreditam.

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