DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA

DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA

(Dois Perdidos Numa Noite Suja)

2002 , 100 MIN.

18 anos

Gênero: Drama

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • José Joffily

    Equipe técnica

    Roteiro: Paulo Halm

    Produção: Denise Garcia

    Fotografia: Nonato Estrela

    Trilha Sonora: David Tygel

    Estúdio: Coevos Filmes

    Elenco

    Daniel Porto, David Herman, Débora Falabella, Guy Camirelli, John Gileece, Richard Velasquez, Roberto Bomtempo, Theodoris Castellanos

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Para usar uma expressão da época de Plínio Marcos, “prepare o seu coração”. A comovente e visceral história de Tonho e Paco sai dos palcos e ganha uma sensível adaptação cinematográfica dirigida por José Joffily, o mesmo de A Maldição de Sanpaku e Quem Matou Pixote? Na transposição palco/tela, algumas mudanças foram feitas em Dois Perdidos numa Noite Suja, mas a essência é a mesma.

    O filme retrata o encontro de dois brasileiros em Nova York. Um mais marginal que o outro. Um mais carente e necessitado que o outro. É o próprio retrato do nosso país, prostrado aos pés do primeiro mundo. Tonho (Roberto Bomtempo) é um mineiro tímido e ingênuo que sobrevive de subempregos enquanto ilude a família com cartas mentirosas sobre a sua situação nos "States". E Paco (Débora Falabella) é uma garota agressiva e maliciosa que ganha a vida se prostituindo.

    Entre estes dois iguais tão diferentes nasce e cresce uma estranha atração interdependente. Uma relação de amor e ódio tão doentia quanto a própria situação vivenciada por ambos. Um encontro corrosivo e mortalmente simbiótico que tem a periferia da cidade de Nova York como pano de fundo.

    Por trás das câmeras, o filme marca um encontro de velhos conhecidos. Dois Perdidos numa Noite Suja é o terceiro filme de Joffily com Paulo Halm (roteiro), o terceiro com o David Tygel (trilha sonora), o quinto trabalho com Roberto Bomtempo, o segundo com Eduardo Escorel (montagem), o quarto com Nonato Estrela (diretor de fotografia) e o segundo com a Alvarina Souza Silva (produção executiva). Toda esta sintonia proporcionou bons resultados na tela. O filme é de uma crueza narrativa digna dos melhores trabalhos de Plínio Marcos, ao mesmo tempo em que sabe como transpor para a linguagem cinematográfica um argumento criado especificamente para o teatro. Obviamente, em se tratando de uma obra de Plínio, está longe de ser um mero entretenimento. Muito pelo contrário, ele é pesado, de alta densidade dramática, e consegue extrair magníficas performances dos protagonistas.

    Dois Perdidos numa Noite Suja levou os prêmios de Melhor Montagem (Eduardo Escorel) e Melhor Música (David Tygel) no Festival de Gramado (2002), e de Melhor Diretor (José Joffily), Melhor Atriz (Débora Falabella) e Melhor Roteiro (Paulo Halm) no Festival de Brasília.


    02 de abril de 2003.


    ____________________________________________
    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus