DOMÉSTICA

DOMÉSTICA

(Doméstica)

2012 , 75 MIN.

12 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 01/05/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gabriel Mascaro

    Equipe técnica

    Roteiro: Gabriel Mascaro

    Produção: Rachel Ellis

    Fotografia: Alana Fahel, Ana Beatriz de Oliveira, Jenifer Rodrigues, Juana de Castro, Luis Felipe Godinho, Perla Kindi, Valdomiro Neto

    Estúdio: Desvia

    Distribuidora: Vitrine Filmes

  • Crítica

    30/04/2013 15h32

    Amigas de infância, duas mulheres entram numa relação de ordem e obediência; um homem expulso de casa precisa arrumar qualquer emprego para não acabar na rua; uma mãe que perdeu três filhos passa a cuidar de um menino com paralisia cerebral como se fosse seu. Essas são algumas das sete histórias que deixam marcas no documentário Doméstica.

    Escrito e dirigido por Gabriel Mascaro (Um Lugar ao Sol), o longa-metragem mostra trechos da vida de quem trabalha para manter outros lares em ordem. A partir da perspectiva de adolescentes que contam com este serviço, podemos conhecer a verdade aparente e além do cotidiano desses indivíduos.

    A escolha da forma de narrar conferiu autenticidade ao documentário. É a realidade exibida por quem a vive, apenas moldada pelo cineasta por meio de uma edição eficiente, com respiros importantes para o espectador refletir sobre o que vê. As passagens são bem colocadas e contribuem para a percepção dos sentimentos dos personagens.

    Um desses momentos exibe sem pressa uma doméstica dirigindo após deixar o filho da patroa na escola; ela escuta Reginaldo Rossi e se comove com a letra sobre desilusão amorosa, tão viva dentro de sua realidade. Tal transparência envolve o espectador muito mais do que o roteiro articulado de uma peça dramática.

    A escolha do repertório de histórias foi outro acerto importantíssimo do filme de Mascaro. Desde cárcere privado e assassinatos a exemplos de superação, passa por diversos temas denunciando sutilmente a crueza do cotidiano, o abismo entre classes sociais e o bom humor necessário para enfrentar tudo isso. O diretor encontra um ótimo equilíbrio entre sequências mais leves e as que geram reflexão, sem deixar à mostra quando um relato vai terminar bem ou mal.

    Balanceando momentos engraçados com doses homeopáticas de drama, o longa só perde o ritmo fluente quase no final, quando começa a ficar cansativo. Se o conteúdo foi certeiro, o arremate deixou a desejar. Não há uma finalização, algo para integrar as histórias na mesma linha narrativa além do tema principal. Elas são passadas uma a uma linearmente, o que torna a assimilação mais simples, mas não transmite a sensação de unidade. Entretanto, esse tropeço não chega a comprometer o filme.

    Como documentário, Doméstica se sai muito bem ao conseguir pincelar um pouco da difícil realidade de quem trabalha nessa profissão no Brasil, atingindo de forma contundente seu propósito. Mostra também, de forma sutil, como relações podem ser construídas em um meio que precisa, essencialmente, do ser humano.



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