DOMINGOS

DOMINGOS

(Domingos)

2009 , 70 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Maria Ribeiro

    Equipe técnica

    Roteiro: Maria Ribeiro

    Produção: Renata Paschoal

    Fotografia: Haroldo Borges, Lula Carvalho, Manoel Aguas

  • Crítica

    20/10/2009 19h32

    A primeira vez que a atriz Maria Ribeiro trabalhou com Domingos de Oliveira foi em 2002, em Separações, três anos depois de sua primeira atuação em cinema. Foi nesse mesmo ano que ela passou a acompanhar o cineasta, dramaturgo, roteirista e ator. Munida com uma câmera digital, Maria mostra-se interessada somente em Domingos. A reunião de alguns desses depoimentos e momentos íntimos que a atriz captou do diretor está em Domingos, documentário que marca sua estreia como diretora.

    Em Domingos, o espectador tem contato com um cineasta muito mais em sintonia com a morte do que com os amores, que tanto permeiam sua obra como cineasta. Talvez resultado da idade avançada ou a sua própria satisfação com o conjunto de sua obra, confessa em tom humilde, quase paradoxal com o autorreconhecimento. O tom do documentário é de homenagem, numa câmera que acompanha seu objeto com veneração, fidelidade e admiração. É como se Maria Ribeiro conduzisse o espectador pela mão num passeio pela intimidade do cineasta. E ela está interessada somente nele: tanto que não há depoimentos de amigos, parentes ou amantes, embora eles sempre estejam presentes, porque Domingos de Oliveira é apresentado como um homem querido, sempre cercado de pessoas, embora acredite que a solidão seja a única forma de um ser humano ser completamente desenvolvido.

    Extremamente intimista, Domingos apresenta lados contraditórios de Domingos de Oliveira, ao mesmo tempo em que contrapõe suas ideias sobre a vida às suas obras cinematográficas, num excelente trabalho de pesquisa e demonstração de conhecimento dos filmes de Oliveira. Domingos é um filme cheio de paradoxos, reflexo direto da complexidade da personalidade de seu principal objeto. Ao mesmo tempo em que é cercado de amigos e alegria, Domingos de Oliveira não deixa de falar da morte, mesmo que seja dos que o cercaram em algum momento, como Leila Diniz. O diretor não aceita a morte, ao mesmo tempo em que flerta e a abraça em suas palavras. O humor do cineasta também está bastante presente no documentário, obviamente, já que ele é o principal interesse das câmeras de Maria Ribeiro. Além do humor, a morte e os amores de Oliveira, temas como o teatro, o cinema e a música estão sempre presentes em seu cotidiano.

    Fica claro o diálogo estrito travado entre a diretora de Domingos e Oliveira, como se ela quisesse mostrar ao espectador que, embora esteja conduzindo esta obra, o objeto ainda é o mestre que a influenciou - e porque não dizer, inspirou - para que o documentário resultasse no que é: uma homenagem quase póstuma sobre um homem que segue vivo. Ainda bem.

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