Pôster de Dominguinhos

DOMINGUINHOS

(Dominguinhos)

2014 , 88 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 22/05/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Eduardo Nazarian, Joaquim Castro, Mariana Aydar,

    Equipe técnica

    Distribuidora: Espaço Filmes

  • Crítica

    19/05/2014 15h34

    Quando Gilberto Gil deu letra para Lamento Sartanejo, parece ter definido traços da personalidade de Dominguinhos, um dos principais nomes da música regional brasileira: "Sou como rês desgarrada nessa multidão, boiada caminhando a esmo". E é justamente o sertão o cenário que emoldura a vida do músico e serve de fio condutor para o documentário dirigido pelo trio Joaquim Castro, Eduardo Nazarian e Mariana Aydar.

    Com grande apreço pelas imagens, Dominguinhos aposta no apelo emocional para homenagear o cantor, músico e compositor nascido em Garanhuns, Pernambuco. Transitando pela origem humilde do artista, seu jeito calado e introspectivo, as parcerias de sucesso e as grandes composições, o documentário oferece um resgate horizontal de sua obra.

    Para essa construção, os diretores fizeram uso de um grande acervo. Enquanto a história é contada na voz do próprio artista, o trabalho de montagem de Joaquim Castro (também responsável por Olho Nu, sobre a vida de Ney Matogrosso) ilustra a vida de Dominguinhos com imagens abstratas, ícones da representação do sertão no cinema: o sol, a vegetação espinhosa, a carniça na terra seca, o sertanejo. Em meio a essas representações, trechos de apresentações do músico são inseridos, alguns inéditos.

    O retrato cresce em grandiosidade conforme a própria carreira do compositor avança. Sua parceria com o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, responsável pelo grande salto artístico, e as composições em parceria com Anastácia, responsável por alguns de seus maiores sucessos, dão pistas sobre a visão de mundo de Dominguinhos e sua personalidade intimista. Essas relações talvez não ofereçam a profundidade necessária para entender o signficado desses personagens em sua vida - o filme todo, aliás, carece de maior ousadia, seja na forma, seja na construção.

    Mas é quando grandes intérpretes da MPB interpretam canções que a obra ganha corpo e sentido. Em um dos momentos mais impactantes, Nana Caymmi canta Contrato de Separação, uma de suas composições mais lembradas. Qui nem Jiló, Eu Só Quero Um Xodó, Isso Aqui Tá Bom Demais e De Volta pro Aconchego também aparecem em performances de nomes como Elba Ramalho, Gilberto Gil, Nara Leão e Gal Costa.

    No início e no fim, a sanfona. Com seu som único, ela tornou Dominguinhos um ícone. Talvez por isso o instrumento apareça aqui como uma metáfora de um grande pulmão, extensão de seu próprio corpo. Nada mais justo para um artista ícone de um Brasil conhecido por superar as contradições com a força e a espontaneidade daquilo que lhe é mais natural: a arte.

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