Cartaz de Dona Flor e Seus Dois Maridos

DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS

(Dona Flor e seus dois maridos)

2017 , 108 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 23/11/2017

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Pedro Vasconcelos

    Equipe técnica

    Roteiro: Pedro Vasconcelos

    Produção: Marcelo Faria, Marcelo Ludwig

    Estúdio: Reginaldo Farias Produções Artísticas

    Distribuidora: Downtown Filmes

    Elenco

    Cassiano Carneiro, Dandara Mariana, Duda Ribeiro, Fábio Lago, Haroldo Costa, Juliana Paes, Leandro Hassum, Marcelo Faria, Nívea Maria, Prazeres Barbosa, Rita Assemany

  • Crítica

    23/11/2017 15h16

    Por Daniel Reininger

    Baseado num dos grandes sucessos da carreira de Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos completou recentemente 50 anos de lançamento e, por isso, ganha um novo filme. A obra já teve adaptações para a televisão, teatro e o filme protagonizado por Sonia Braga. Quem leu ou viu alguma das versões, sabe que o humor dá o tom à obra, porém a nova versão não foi capaz de manter esse aspecto com a mesma eficiência.

    As piadas estão lá, mas o tom da obra soa forçado, muitas vezes a tentativa de comédia é simplesmente sem graça. A romantização da violência doméstica é uma das principais falhas do longa. Mesmo sofrendo abusos e agressões físicas, a personagem de Juliana Paes continua idealizando Vadinho, seu marido falecido. Esse tipo de situação poderia ser modificada sem influenciar na qualidade e discurso da obra original.

    Para quem não conhece, na trama a professora de culinária Dona Flor (Juliana Paes) é casada com Vadinho (Marcelo Faria), um desocupado mulherengo, viciado em jogo e álcool. Vadinho morre de enfarte durante o Carnaval e, algum tempo depois, Flor se casa com o farmacêutico Teodoro (Leandro Hassum), um homem metódico e conservador. A vida sexual monótona de Flor e Teodoro a faz suspirar pelo primeiro marido, que passa a aparecer para ela como um fantasma.

    A questão aqui é como Teodoro se apresenta como um homem respeitoso, correto e financeiramente estável, mas sem graça na cama. Já o sedutor Vadinho é um cafajeste abusivo do pior tipo. Quando retorna, porém, o primeiro marido tenta se desculpar com a esposa e reconquistá-la. Só que a resistência de Flor ao fantasma de Vadinho deixa a narrativa bastante monótona e repetitiva, afinal, é óbvio que ela vai ceder. E quem conhece a história, sabe que o lance é exatamente como ela precisa dos dois para ter uma vida plena, um homem bom na cama e outro financeiramente estável e gentil.

    Outra falha é a escalação de Leandro Hassum como Teodoro. Ele exagera no tom, se torna uma caricatura irritante e sua ingenuidade beira o nível do absurdo. Em contraste, temos a boa interpretação de Marcelo Faria, produtor do longa e intérprete de Vadinho também no teatro. Para completar o trio, Juliana Paes também está bem como Flor.

    O roteiro preguiçoso não faz mais do que mostrar o triângulo amoroso, com raros relances da sociedade brasileira da época. A trilha sonora fraca e repetitiva não acrescenta nada à narrativa e a contraluz na fotografia é usada em excesso para tentar um efeito dramático. Para compensar, a direção de arte e de figurino capturam bem o clima dos anos 40.

    O longa toca apenas superficialmente em questões importantes, como a sexualidade feminina e questões morais da sociedade brasileira dos anos 40, cujas contradições ainda podem ser vistas atualmente. Entretanto, faltou trazer um discurso mais moderno para a trama, realmente abordar questões importantes para a atualidade, sem perder o tom criado por Jorge Amado. No final, temos um remake desnecessário e inferior em relação às outras adaptações.

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