Pôster de Dor e Glória

DOR E GLÓRIA

(Dolor y gloria)

2019 , 113 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 13/06/2019

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  • Onde assistir

    Programação

  • Ficha técnica

    Direção

    • Pedro Almodóvar

    Equipe técnica

    Roteiro: Pedro Almodóvar

    Produção: Agustín Almodóvar, Esther García

    Fotografia: Jose Luis Alcaine

    Trilha Sonora: Alberto Iglesias

    Estúdio: El Deseo S.A

    Montador: Teresa Font

    Distribuidora: Universal Pictures

    Elenco

    Agustín Almodóvar, Alba García, Antonio Banderas, Asier Etxeandia, Asier Flores, Cecilia Roth, César Vicente, Esther García, Eva Martín, Julián López, Julieta Serrano, Leonardo Sbaraglia, Mina, Nora Navas, Pedro Casablanc, Penélope Cruz, Raúl Arévalo, Rosalía, Sara Sierra, Susi Sánchez

  • Crítica

    18/06/2019 11h15

    Por Sara Cerqueira

    A tristeza, a incapacidade física e a frustração sempre foram propulsores muito eficientes para a criação artística. A constante do gênio que transforma a própria dor e sofrimento em obra-prima acompanhou figuras importantes durante toda a história humana, em diversas áreas do conhecimento (matemática, física, artes plásticas, música, artes cênicas etc). Vemos de novo e de novo que nenhum fermento é mais eficaz para a produção cultural que sentimentos como a solitude, a decadência, a nostalgia e, por que não, a própria dor física.

    Nada nos aproxima e ao mesmo nos diferencia mais uns dos outros que o sofrimento e reconhecimento da nossa finitude. E são esses elementos que o espanhol Pedro Almodóvar escolhe trabalhar em Dor e Glória, uma verdadeira homenagem ao processo criativo e os seus custos ao artista. Escalando uma de suas figuras favoritas como protagonista da trama, Antonio Banderas dá vida ao protagonista de uma obra intimista e com elementos autobiográficos fortíssimos da carreira e vida de Almodóvar.

    Na trama, o diretor Salvador, interpretado por Banderas, vive um período de incertezas, decadência física, solidão e confusão como artista consagrado do cinema espanhol. Para continuar criando, ele se apega à nostalgia, às lembranças de sua mãe (interpretada pela estonteante Penélope Cruz), que o acompanhou durante um período de descobertas de talento e simplicidade da criação artística, a descoberta da sexualidade e ao sentimento de ternura e carinho por um antigo amor (interpretado por Leonardo Sbaraglia).

    Se nas cenas do presente a paleta de cores é fria, a estética é dura e os contornos geométricos são opressivos, o passado do protagonista é muito mais iluminado e reconfortante, dando mais vitalidade às memórias afetivas do que a realidade atual. Um passado de descobertas e novidades, ainda que com as dificuldades financeiras e inadequações sociais, é mais atraente para um homem que viveu o pico da fama e do reconhecimento, e agora só resta o desconforto físico e o estranhamento quanto ao próprio trabalho (evidenciado nas brigas e discussões com o ator de seu filme e ex-colega, interpretado energicamente por Asier Etxeandia).

    O trabalho de Antonio Banderas pode ser considerado, sem grande esforço, um dos melhores, se não o melhor, de sua carreira. Despido do glamour usual e destituído do status de sex symbol, sua figura carrega um estafamento perturbador que transcende seu corpo. Sua mínima satisfação depende do entorpecimento de sua mente (seja através de remédios, drogas ou o sono), dantes tão criativa e desperta para tudo. O entendimento de sua própria fragilidade como ser humano o faz compreender que o valor real reside em coisas tidas como passageiras, como as memórias da infância, o primeiro amor que não deu certo, as brigas bobas com a mãe teimosa, um desenho feito por um homem que lhe despertou desejo.

    Destaque também para o trabalho de Penélope Cruz, que interpreta uma figura materna dinâmica, amorosa e resiliente quanto aos desafios impostos por uma vida difícil e para Asier Etxeandia e Leonardo Sbaraglia, figuras masculinas que dão o suporte necessário para que o trabalho de Banderas possa se desenvolver no campo mais íntimo.

    Com uma trilha-sonora minimalista e um final mais aberto às possíveis interpretações (uma constante nas obras de Almodóvar) Dor e Glória é uma homenagem coletiva aos amores e dissabores da vida artística através de uma perspectiva extremamente individual e familiar. Assistir a esse filme é como ver um documentário sobre o processo criativo de um artista e se aperceber inconveniente e intrometido, devido à pessoalidade do mesmo, a carta na manga de Almodóvar. Vale muito a pena.

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