Poster de Doutor Sono

DOUTOR SONO

(Doctor Sleep)

2019 , 152 MIN.

16 anos

Gênero: Terror

Estréia: 07/11/2019

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  • Onde assistir

    Programação

  • Ficha técnica

    Direção

    • Mike Flanagan

    Equipe técnica

    Roteiro: Mike Flanagan, Stephen King

    Produção: Jon Berg, Trevor Macy

    Fotografia: Michael Fimognari

    Trilha Sonora: The Newton Brothers

    Estúdio: Intrepid Pictures, Vertigo Entertainment, Warner Bros.

    Montador: Mike Flanagan

    Distribuidora: Warner Bros.

    Elenco

    Alex Essoe, Bruce Greenwood, Carel Struycken, Carl Lumbly, Catherine Parker, Chelsea Talmadge, David Michael-Smith, Emily Alyn Lind, Ewan McGregor, Jacob Tremblay, Jason Davis, Jocelin Donahue, Juan Gaspard, Kyliegh Curran, Rebecca Ferguson, Robert Longstreet, Selena Anduze, Thomas Downing, Zackary Momoh, Zahn McClarnon

  • Crítica

    06/11/2019 18h21

    Por Daniel Reininger

    Doutor Sono chega para contar a história de Danny (Ewan Mcgregor) 40 anos depois de enfrentar o Hotel Overlook na infância. Só que a pressão era enorme, afinal, a adaptação de O Iluminado dirigida pelo incrível Stanley Kubrick, é uma obra prima. Curiosamente, Mike Flanagan ( Ouija - Origem Do Mal) consegue fazer jus tanto ao livro de Stephen King quanto ao clássico do cinema e o longa funciona, embora não seja, nem de perto, comparável com o filme de 1980.

    A tragédia da família Terrance, isolada num hotel assombrado e atacada pela loucura do patriarca, Jack (Jack Nicholson) , é uma das histórias mais reverenciadas da sétima arte. Até por isso esse filme não se cansa de relembrar ao espectador que Doutor Sono é uma continuação, com flashbacks e muito fan service, enquanto luta para agradar também King, escritor que declarou mais de uma vez odiar a adaptação.

    A trama da continuação começa com um prólogo sobre as consequências dos eventos terríveis que aconteceram no Hotel Overlook. Logo em seguida mostra o adulto Dan Torrance (Ewan McGregor) como um alcoólatra fugindo de seu passado e poderes. A história então pula mais alguns anos e vemos um Dan sóbrio, usando sua habilidade de uma maneira limitada a fim de ajudar pacientes à beira da morte.

    Assim que volta a aceitar seus poderes, Dan se conecta a Abra Stone (Kyleigh Curran), uma jovem garota extremamente poderosa. Só que um culto de caçadores quase imortais que se alimentam de psíquicos poderosos também a percebe. Com isso, temos um longa de suspense e ação, com pouco que realmente lembre o filme original por boa parte do tempo, o que é algo positivo.

    Ao contrário de O Iluminado, Doutor Sono traz antagonistas corpóreos, com objetivos e métodos claros. E é fácil vê-los como monstros, já que assassinam brutalmente crianças. Mike Flanagan deixa de lado a ambientação criada por Kubrick na primeira metade e o longa se parece mais com uma história de super-heroís ao expandir os conceitos sobre os poderes desse mundo. O problema é que, aos poucos, o longa retorna mais e mais aos temas vistos no original e isso alonga a trama e a deixa cansativa.

    Para ser bem claro, o longa é praticamente um X-Men com elementos de suspense. Batalhas psíquicas, poderes que parecem magia e pessoas que usam seus poderes para o mal e outros para o bem se enfrentam pelo que acreditam certo. Podia ser mais criativo, nesse ponto, mas a verdade é que o filme ganha pontos de verdade pelas atuações e visual, belo e com movimentos de câmera que, por mais de uma vez, recriam os de Kubrick.

    Kyliegh Curran se destaca como a talentosa adolescente Abra. Ewan McGregor cria um Dan Torrance quebrado, dividido entre ajudar Abra a lutar contra uma seita maligna e manter os fantasmas de seu passado em xeque. Rebecca Ferguson é uma ótima vilã, líder de um grupo de seres cruéis que farão de tudo pela vida eterna, repleta de malícia e ferocidade, uma inimiga aterrorizante, mas também com mais profundidade do que uma simples antagonista.

    O filme se perde mesmo quando passa a ser uma homenagem ao filme clássico e, pior, quando recria seus momentos. Embora as homenagens a Kubrick sejam válidas, se tornam exageradas. As coisas ficam mais estranhas ainda graças ao novo elenco incubido de viver personagens do filme clássico. Desses, Wendy Torrance, interpretada por Alex Essoe, é quem destoa acima de tudo. Não só a atriz não demonstra a mesma personalidade de Shelley Duvall, como não convence como pessoa real.

    Doutor Sono é interessante e arrepiante quando trata de questões novas, mas se perde quando recria ou homenageia demais o passado, se perdendo em fan services desnecessários e alongando um filme que poderia ser muito mais enxuto. São questões que tiram o brilho da sequência, que no fim, é uma boa opção para quem gosta do livro ou do filme, mas pode incomodar quem não tem uma relação afetiva com a história.

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