DREDD

DREDD

(Dredd)

2012 , 95 MIN.

18 anos

Gênero: Ação

Estréia: 21/09/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Pete Travis

    Equipe técnica

    Roteiro: lex Garland

    Produção: Alex Garland, Allon Reich, Andrew MacDonald

    Fotografia: Anthony Dod Mantle

    Trilha Sonora: Paul Leonard-Morgan

    Estúdio: DNA Films, IM Global, Reliance Big Entertainment, Reliance Big Pictures

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Allen Irwin, Brandon Livanos, Deobia Oparei, Domhnall Gleeson, Francis Chouler, Jason Cope, Joe Vaz, Karl Thaning, Karl Urban, Kevon Kane, Langley Kirkwood, Lena Headey, Luke Tyler, Martin Kintu, Nicole Bailey, Olivia Thirlby, Rakie Ayola, Santi Scinelli, Scott Sparrow, Travis Snyders, Warrick Grier

  • Crítica

    17/09/2012 08h00

    Por Daniel Reininger

    Em 1995, Sylvester Stallone encarnou o anti-herói cult Juiz Dredd, nascido nas revistas britânicas 2000 AD, em um filme que não conseguiu traduzir a dureza, opressão e violência dos quadrinhos. A coisa foi tão feia, que chegou ao ponto de o criador do personagem, John Wagner, se negar a endossar o projeto. Sorte que 17 anos depois, o diretor Pete Travis entendeu a essência do que faz a história tão intensa e poderosa e criou uma obra simples, porém sensacional.

    Para quem não conhece os quadrinhos, Dredd é um policial futurista e extremamente brutal que protege as ruas de Mega City One, uma metrópole distópica, superpovoada e fascista, que ocupa uma área gigantesca entre Nova York e Boston. Para piorar, ela é cercada por um deserto radioativo chamado A Terra Maldita, repleto de mutantes. A história é pesada, afinal nasceu em uma época conturbada do Reino Unido, quando a cultura punk rock estava em declínio e a população via a decadência do país e a ascensão de Margareth Thatcher ao poder, eleita primeira ministra apenas três anos após a primeira edição chegar às bancas.

    Sombrio e incorruptível, Dredd (Karl Urban) é o mais famoso dos juízes, grupo com poder de polícia, juiz, júri e executor. O cara tem uma visão bem clara de seu mundo – ele é a lei. Na trama, o protagonista é designado para treinar uma recruta com poderes psíquicos, a juíza Anderson (Olivia Thirlby). Durante o dia de avaliação, ela escolhe responder a um chamado em uma megaestrutura, praticamente uma favela, de 1 km de altura e lar de 75 mil pessoas. A batida policial resulta numa batalha intensa e na prisão de um dos cabeças da gangue de Ma-Ma, interpretada de forma fria e cruel por Lena Headey. Ao ver em perigo a distribuição de uma nova droga chamada Slo-Mo, ela prende os juízes no complexo e convoca uma caçada brutal aos dois.

    O filme inteiro se passa dentro desse prédio gigantesco chamado Peach Trees, de forma similar ao que acontece no aclamado longa indonésio Operação Invasão. As referências não acabam por aí, é impossível não se lembrar de Duro de Matar, com o valentão John McClane invadindo um prédio dominado por inimigos, e até mesmo do brasileiro Tropa de Elite, ao mostrar a ação policial em uma favela controlada por gangues hostis e como isso afeta a vida das famílias que ali, infelizmente, convivem diariamente com o crime e a violência.

    Ao contrário de outros longas de super-heróis, Dredd tem um estilo visual cru, que o aproxima de Distrito 9, ambos filmados em Johanesburgo. A capital sul-africana serve como cenário perfeito para a imperdoável e decadente Mega City One, que ganha vida e, com isso, também o peso de um personagem capaz de definir as ações de seus moradores, nada a ver com a relativamente limpa e organizada megalópole criada por computação gráfica no filme de 1995.

    Implacável mesmo é Dredd, interpretado por Karl Urban (o Éomer de Senhor dos Anéis) com frieza e determinação. Mostrado pela perspectiva de sua aprendiz, o anti-herói é um personagem sombrio, tenso e com uma obrigação fanática de seguir a lei. O fato de ele não tirar o capacete em nenhum momento, garante ainda mais credibilidade ao intimidador juiz, pois não importa o homem por trás da máscara e sim o uniforme e tudo que representa naquele mundo caótico.

    Em contraste, temos a recruta Anderson, a contraparte emocional da narrativa, muito mais humana que seu instrutor e que, vinda de uma das zonas mais pobres da cidade, sonha em fazer a diferença. Curioso é que ela não usa capacete em nenhum momento, com a desculpa de que isso afetaria seus poderes mentais, mas o real motivo é aproveitar a beleza da atriz e, ao exibir suas expressões, facilitar a identificação do público com os “mocinhos”.

    A intensidade é marca também da bela mixagem de som, trilha sonora e visual. Tudo ajuda a moldar ótimas cenas de ação, que apesar de constantes, não cansam pela variedade e criatividade – destaque para uma traqueia quebrada sem dó em uma das lutas mais brutais do filme. Além disso, a droga Slo-Mo garante algumas boas e bem dosadas cenas em câmera lenta, como a de Lena Headey tomando banho de banheira sob efeito do entorpecente. A habilidade de usar esse recurso sem exagero valoriza a produção e não incomoda.

    Sem medo de chocar, Dredd é um longa de ação cheio de confiança, estilo e violência, que não trata o espectador como criança. Certamente vai agradar tanto aos fãs do personagem quanto a um novo público, interessado em algo mais intenso do que costumamos ver nos cinemas. Mas vá preparado para encarar momentos incômodos, pois a produção não alivia a barra nem por um minuto.

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