DUELO DE TITÃS

DUELO DE TITÃS

(Remember The Titans)

2000 , 113 MIN.

anos

Gênero: Drama

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Boaz Yakin

    Equipe técnica

    Roteiro: Gregory Allen Howard

    Produção: Chad Oman, Jerry Bruckheimer

    Fotografia: Philippe Rousselot

    Trilha Sonora: Trevor Rabin

    Elenco

    Catherine Bosworth, Denzel Washington, Donald Adeosun Faison, Jerry Brandt, Kelly Cheston, Michael Rouby, Rice Brett, Scott Miles, Sharon Blackwood, Will Patton

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Criou-se um dogma entre a crítica cinematográfica por meio do qual todo e qualquer clichê deve ser julgado como “prejudicial” ao filme. Pessoalmente, eu questiono muito este conceito e não tenho nada contra o clichê, desde que ele seja bem-feito.

    Os filmes de Woody Allen, por exemplo, já não se transformaram em clichês? Os créditos iniciais sempre iguais, com fundo preto e letras brancas (a mesma tipologia de letra, por sinal), o jazz tradicional tocando ao fundo, o mesmo personagem nova-iorquino neurótico... Tudo isso não seriam clichês? Sim, seriam. E clichês maravilhosos, sempre bem-vindos, porque são bem-feitos.

    Afinal, qual seria a diferença básica entre clichê e estilo? Bom, sem querer me aprofundar neste tema, escrevo tudo isso para dizer que Duelo de Titãs, filme que estréia neste final de semana em todo o Brasil, é uma agradável e bem-vinda sucessão de clichês bem-produzidos. A rigor, parece uma colagem de outros filmes, uma mistura de Sociedade dos Poetas Mortos com Ao Mestre com Carinho. Mas, tudo realizado com muita competência.

    Baseado num fato real ocorrido em 1971, o filme narra a luta quase insana de dois técnicos de um mesmo time de futebol americano: Herman (Denzel Washington) e Bill (Will Patton). Herman é negro. Bill é branco. Os dois juntos vão tentar viabilizar a perigosa idéia (para a época) de montar e treinar um time inter-racial, em que negros e brancos terão de jogar juntos. O projeto parece absurdo num momento histórico em que uma sociedade reacionária luta com unhas e dentes para que negros e brancos não freqüentem sequer a mesma escola. Que dizer do mesmo time de futebol!

    A partir daí os clichês se sucedem. Há o rapaz radical que se transforma no melhor amigo de seu antigo “oponente”. As pressões familiares. O bilhete ameaçador amarrado numa pedra e atirado contra a janela do herói negro (existe algum filme sobre racismo que não tenha esta cena?). Uma cena de hospital. Mensagens edificantes, música eloqüente... incrivelmente a jogada final do último ponto que decidirá o último jogo da última temporada não foi filmada em câmera lenta. Mas e daí? Se todos os bons filmes de faroeste têm o inevitável duelo final entre o bem e o mal, por que Duelo de Titãs não pode também repetir velhas receitas de sucesso? Nada contra.

    Dentro da tradição dos “filmes família” produzidos pelos estúdios Disney, Duelo de Titãs é um exemplar da melhor qualidade. Mexe com valores “fora de moda” como lealdade, dignidade e amizade, emociona, expõe o ridículo do preconceito racial e não tem medo de ser piegas.

    Nos Estados Unidos, o sucesso de público foi total: o filme custou US$ 30 milhões e rendeu mais de US$ 115 milhões nas bilheterias. Por aqui, não se deve esperar tanto, já que as platéias brasileiras, não familiarizadas com as regras do futebol americano, tende a rejeitar filmes com esta temática. Mas, é bom deixar claro que Duelo de Titãs não é um filme sobre futebol americano. É um filme sobre os mais profundos sentimentos humanos. E isso não tem nacionalidade.
    Deixe o preconceito de lado e experimente.

    6 de fevereiro de 2001

    ____________________________________________
    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus