Dunkirk

DUNKIRK

(Dunkirk)

2017 , 110 MIN.

12 anos

Gênero: Guerra

Estréia: 27/07/2017

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  • Onde assistir

    Programação

  • Ficha técnica

    Direção

    • Christopher Nolan

    Equipe técnica

    Roteiro: Christopher Nolan

    Produção: Christopher Nolan, Emma Thomas

    Fotografia: Hoyte Van Hoytema

    Trilha Sonora: Hans Zimmer

    Estúdio: Dombey Street Productions, Warner Bros.

    Montador: Lee Smith

    Distribuidora: Warner Bros.

    Elenco

    Adam Long, Aneurin Barnard, Barry Keoghan, Bobby Lockwood, Brian Vernel, Charley Palmer Rothwell, Cillian Murphy, Elliott Tittensor, Fionn Whitehead, Harry Styles, Jack Lowden, James D'Arcy, Kenneth Branagh, Kevin Guthrie, Mark Rylance, Tom Hardy

  • Crítica

    26/07/2017 16h30

    Por Daniel Reininger

    Dunkirk é uma obra realmente impressionante. Com três perspectivas diferentes, no ar, na terra e no mar, Christopher Nolan rege com maestria uma intrincada trama que mostra um dos momentos mais importantes da Segunda Guerra Mundial, a retirada de milhares de soldados das forças aliadas da Europa, impedindo um massacre que teria deixado a guerra na mão dos nazistas.

    Esse não é um filme de guerra convencional. Ao mostrar o drama de mais de 400 mil soldados isolados na costa do norte da França, cercados pelo inimigo, o longa tem poucos combates, quase nenhuma cena sangrenta, raramente os nazistas são vistos e, quando isso acontece, é por sombras ou dentro de aviões. O foco aqui é o drama pela sobrevivência e o desespero dos soldados presos em uma situação desesperadora.

    O filme não perde muito templo explicando as coisas óbvias, com exceção de uma ou outra cena, como quando dois soldados escondidos ouvem oficiais comentando a morte certa. Fora isso, o longa não cai em clichês como histórias de antes da guerra ou saudades de entes queridos, ao invés disso mostra jovens aterrorizados que só querem uma coisa: sobreviver. A falta de aprofundamento de personagens não faz falta, já que faz pouca diferença quem essas pessoas eram antes de se encontrarem nessa situação.

    A tensão é grande do começo ao fim. Como em Gravidade, você sente a pressão e o desespero da situação na pele e é difícil permanecer impassível diante de tamanha opressão e falta de esperança.

    Os atores, a maioria desconhecidos, são ótimos, apesar dos poucos diálogos. Harry Styles, do One Direction, impressiona como ator, mesmo com sua pouca idade e falta de experiência na área. Kenneth Branagh e Tom Hardy estão muito bem, mas o destaque mesmo é Mark Rylance como o heroico Mr. Dawson, um civil que atende a um chamado por ajuda e vai com sua embarcação para o meio da guerra.

    Dunkirk é visualmente impressionante, o ar cinzento ajuda a criar a sensação de falta de esperança, a névoa toma conta, quase como se transformasse aquele local em algo irreal, místico. A fotografia só não é mais importante do que os efeitos sonoros. Momentos de silêncio quase sobrenatural são quebrados por explosões ou pelo motor dos caças inimigos e o impacto de cada ataque é sentido pelo espectador, com a urgência da situação ampliada pela trilha sonora inspirada de Hans Zimmer.

    Quando o silêncio retorna, os diálogos se tornam desnecessários, não há o que falar. Todos querem sair de lá o mais rápido possível e falar sobre o assunto não muda nada. É ousado fazer um filme desses com tantos momentos de silêncio, mas é exatamente essa calma, quase aceitação do destino cruel que os espera, quebrada apenas por momentos de horror, com imagens lindamente filmadas em Imax, que faz do filme algo tão impactante.

    A passagem do tempo pode gerar confusão, é preciso ficar atento, afinal a parte terrestre se passa ao longo de uma semana. A parte no mar se passa ao longo de um dia e a parte aérea ao longo de uma hora e quando as histórias convergem ou a mesma situação é vista de pontos de vista diferentes pode haver um estranhamento, mas é um recurso usado de forma inteligente para o peso narrativo necessário para a história, mesmo que, às vezes, não fique tão claro se a situação é nova ou não.

    Dunkirk mostra o horror de milhares de pessoas esperando para serem massacradas, com a salvação apenas a alguns quilômetros de distância, mas fora de alcance. Atuações sólidas, atenção ao detalhes e qualidade técnica inegável fazem desse filme um dos melhores de Nolan e do ano, graças à forma como retrata o heroísmo, mostrado com pequenos atos aparentemente comuns, como uma porta aberta na hora certa, um voo um pouco mais longo, um desvio de rota, pequenos gestos que fazem uma grande diferença.

    A guerra durou mais cinco anos depois dessa batalha, mas o mundo poderia ser um lugar bem diferente se essa retirada não tivesse dado certo e conhecer o drama de quem viveu esses dias de desespero é tocante.

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