E A VIDA CONTINUA... (2012)

E A VIDA CONTINUA... (2012)

(E a Vida Continua...)

2012 , 99 MIN.

10 anos

Gênero: Drama

Estréia: 14/09/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Paulo Figueiredo

    Equipe técnica

    Roteiro: Paulo Figueiredo

    Produção: Oceano Vieira de Melo, Paulo Figueiredo, Sonia Marsaiolli de Melo

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Alberto Centurião, Amanda Acosta, Ana Lúcia Torre, Ana Rosa, Arllete Montenegro, Carla Fioroni, Cézar Pezzuoli, Cláudio Mello, Giovane E. Alvarenga, João Pedro Correia, Laura Feliciano, Lima Duarte, Luiz Baccelli, Luiz Carlos de Moraes, Luiz Carlos Félix, Maria Vitória Gonçalves, Pedro Costa, Ronaldo Oliva, Rosana Penna, Rui Rezende, Saliba Filho, Samantha Caracante

  • Crítica

    12/09/2012 22h10

    No cinema, mensagem e técnica não podem andar em dissonância. Pouco importa o que queira dizer, quão edificante seja sua mensagem, se houver um desprezo pelo método, tudo estará sepultado, sem direito a vida pós-morte.

    É o que ocorre com o filme E a Vida Continua..., longa de estreia do ator e roteirista Paulo Figueiredo, que, a despeito do recado altruísta, galvanizado pela doutrina espírita, não passa de uma produção amadora que chega a soar como sacrilégio diante da proficiência técnica que o cinema nacional alcançou nos últimos anos.

    O cinema brasileiro não merece condescendência nem protecionismo. E isso é uma forma de enaltecer e valorizar, por mais contraditório que pareça, o que se produz por aqui. Sendo assim, não há como classificar E a Vida Continua... a não ser como um filme ruim, desde já na lista dos piores do ano.

    A produção não sofre com alguns problemas técnicos. É um filme permeado de ponta a ponta com um diletantismo nada prazeroso ou romântico. O roteiro, adaptação do livro homônimo escrito por Chico Xavier, é de uma primariedade digna dos piores folhetins. E por falar em folhetins, lembra os mexicanos por ser todo dublado. Atores dublarem suas próprias falas é até comum quando se quer resolver algum problema pontual de captação sonora. Fazer um filme com todos os diálogos dublados é anacrônico e inexplicável hoje em dia.

    Para piorar, a mixagem sonora é péssima. Nas externas, o trabalho é mal feito e faz conversas, que deveriam contar com ruídos ambientes, parecerem gravadas em local fechado. E a credibilidade se esvai também junto com os diálogos pouco naturais. Existe um constante didatismo professoral e proselitista na fala dos personagens, marca-registrada de filmes religiosos no país. Não há contentamento em apenas se fazer um filme sobre o tema, é preciso tentar catequizar o público.

    As gafes técnicas não ficam por aí. A fotografia é escolar, com mudanças de intensidade de iluminação em troca de planos de mesma cena. O posicionamento de câmera e enquadramentos são típicos de quem nunca filmou nada mais complexo que os aniversários dos familiares, com direito a problemas de angulação básicos entre planos. E a montagem, com seus excessos de fades longos (sem nenhum propósito narrativo ou estético) mergulham o filme num abismo que uma trilha sonora irritante, e mal acondicionada ao enredo, ajudam a cavar.

    E a Vida Continua... é um filme de planos fechados, de close-ups, muitos close-ups. Tudo se alterna de um plano fechado no rosto de alguém para o de outro alguém. Isso para contar, e mal, a história de Evelina (Amanda Costa), jovem prestes a passar por uma complexa cirurgia. Ela cruza o caminho de Ernesto (Luiz Baccelli), que se encontra na mesma situação. Logo se estabelece uma proximidade entre os dois dada à coincidência, que Ernesto não enxerga assim. A amizade é interrompida pela internação de ambos, mas retomada quando se encontram após a morte. Lá, distantes da vida terrena, descobrem que têm mais em comum do que imaginavam. E segue-se, então, uma série de "surpresas", num arremedo do que seriam as viradas de roteiro.

    A produção é um panfleto espírita e só isso. Como obra de cinema, aberto ao público em geral, está em dessintonia com padrões mínimos de qualidade. Diferente de muitos longas nacionais de baixo orçamento, que conseguem disfarçar com habilidade e inteligência a falta de recursos, em E a Vida Continua... as limitações se escancaram na tela. Um filme mal realizado sob todos os aspectos e para o qual não há sobrevida.

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