E AGORA, AONDE VAMOS?

E AGORA, AONDE VAMOS?

(Et Maintenant On Va Où?)

2011 , 110 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 15/11/2012

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Nadine Labaki

    Equipe técnica

    Roteiro: Jihad Hojeily, Nadine Labaki, Rodney Al Haddid, Sam Mounier, Thomas Bidegain

    Produção: Anne-Dominique Toussaint, Nadine Labaki

    Fotografia: Christophe Offenstein

    Trilha Sonora: Khaled Mouzannar

    Estúdio: Canal+, Chaocorp, CinéCinéma, France 2 Cinéma, France Télévision, Ginger Beirut Productions, Les Films de Beyrouth, Les Films des Tournelles, Pathé, Prima TV, The Doha Film Institute, United Artistic Group

    Distribuidora: Vinny Filmes

    Elenco

    Abdel Rahman Billoz, Adel Karam, Ahmad Hafez, Ali Baajour, Ali Haidar, Angelica Saleh, Anjo Rihane, Anneta Bousaleh, Antoinette Noufaily, Caroline Labaki, Cendrella Yammine, Chady El-Teeny, Claude Baz Moussawbaa, Elie Abou Zeid, Fouad Yammine, Frederick Stafford, Georges Abi Khalil, Georges Khoury, Georgina El-Zaitrini, Georgio Ghawi, Gisèle Smeden, Issa Abboud, Joëlle Najem, Julian Farhat, Karin Dor, Kassem Istanbouli, Kevin Abboud, Khalil Bou Khalil, Leyla Hakim, Marie Skeif, Marlein Ziadeh, Mohamad Al Sakka, Mohammad Aqil, Mohammad Raad, Mona Moukarzel, Mostafa Al Sakka, Mounzer Baalbaki, Moustapha El Masri, Nadine Labaki, Nathalie Abi-Habib, Oksana Beloglazova, Olga Yerofyeyeva, Oxana Chihane, Paola Sleiman, Petra Saghbini, Reslan El-Karra, Sami Khorjieh, Samir Award, Sasseen Kawzally, Suzane Talhouk, Yulia Maroun, Yvonne Maalouf, Ziad Abou Absi

  • Crítica

    12/11/2012 21h00

    Falar de dramas humanos e conflitos religiosos no Oriente Médio não significa necessariamente fazer um filme denso, pesado. Quem dá provas disso é a atriz e diretora Nadine Labaki (de Caramelo), que transforma seu E Agora, Aonde Vamos? numa produção animada e divertida sem deixar de colocar em evidência as cicatrizes deixadas por anos de embates sangrentos motivados por discordâncias de credo.

    A opção de Nadine foi arriscada, mas bem-sucedida. Ela soube ser sutil ao introduzir humor e ironia em meio ao pano de fundo de tensão no qual se desenrola a história. A jocosidade com a qual pontua a trama não ameaça nem ameniza a realidade dos fatos. Ao contrário, permite ao espectador ocidental uma visão menos estereotipada desses povos, humanizando-os em seu cotidiano.

    O filme trata da convivência complexa entre cristãos e mulçumanos numa diminuta aldeia perdida nas montanhas. Embora possa se supor que o país onde se desenrola o filme seja o Líbano, em nenhum momento a pátria da cineasta é identificada. Outra decisão acertada de Nadine, que quis mostrar em seu filme a insanidade de conflitos entre irmãos, vizinhos, passível de ocorrer em qualquer guerra civil ao redor do mundo.

    É interessante notar como a diretora analisa a incongruência dos conflitos religiosos escancarando o ridículo de suas motivações. A ameaça à paz da aldeia vem de fora, na forma de um aparelho de TV que traz notícias capazes de, num átimo, servir de centelha para que vizinhos peguem em armas e aumentem a população do cemitério do lugar, que rivaliza com a de vivos. Por outro lado, a incoerência também reside na cabeça das pessoas, latente, pronta a emergir por causa de futilidades, como cabras desavisadas que invadem uma mesquita. Nestes momentos a ignorância ameaça corroer a racionalidade desses homens e são as mulheres da aldeia que usam de meios insólitos (e aqui residem os momentos divertidos do filme) para não verem seus filhos e maridos mortos por algo que acreditam não valer a pena.

    Nadine foi hábil em construir esse equilíbrio entre bom humor e drama, mas não mostrou tanta competência ao conduzir seus muitos personagens. Nota-se no quarto final do filme que a diretora, que também interpreta uma das personagens principais, perde a mão e não consegue manter a coesão. Isso fica ainda mais claro com a chegada de um grupo de strippers ao vilarejo, o que dá margem a algumas situações divertidas, mas onde se identifica também um subaproveitamento de situação e personagens.

    Nada capaz de tirar o encanto de E Agora, Aonde Vamos?, que também faz uso de números musicais cantados pelos personagens para dar um tom de lirismo à trama naturalista. Neste ponto o filme lembra muito as produções indianas, que não prescindem de um número musical. E no filme da cineasta libanesa esses momentos são muito bem inseridos na trama assim como o humor.


Deixe seu comentário
comments powered by Disqus