É PROIBIDO FUMAR

É PROIBIDO FUMAR

(É Proibido Fumar)

2008 , 86 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 04/12/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Anna Muylaert

    Equipe técnica

    Roteiro: Anna Muylaert

    Produção: Anna Muylaert, Maria Ionescu, Sara Silveira

    Fotografia: Jacob Solitrenick

    Trilha Sonora: Márcio Nigro

    Estúdio: África Filmes, Dezenove Cinema e Televisão

    Distribuidora: PlayArte

    Elenco

    Alessandra Colassanti, Alice Giordano, Aline Filócomo, Ana Carolina Oliveira, André Abujamra, Antonio Abujamra, Daniela Nefussi, Danielle Farnezi, Dulce Muniz, Eduardo Chagas, Emerson Danesi, Etty Fraser, Fernanda Cunha, Glória Pires, Hanna Rosenbaum, Henrique Silveira, Joana Arruda Botelho, Lili Angel, Lourenço Mutarelli, Magnu Souza, Marat Descartes, Marcelo Mansfield, Marcos de Andrade, Marisa Orth, Marizilda Dias Rosa, Maureen Miranda, Maurílio de Oliveira, Mika Winiaver, Paula Pretta, Paulo César Peréio, Paulo Miklos, Pitty, Rafael Raposo, Sérgio Siviero, Theo Werneck, Thogun, Ubiracy Brasil, Vitória Zimmermann

  • Crítica

    03/12/2009 16h00

    “Um artista só pode falar do que conhece”. A frase dita por Giuseppe Tornatore sobre seu trabalho mais recente e pessoal, Baarìa – La Porta Del Vento, faz sentido para todos os que buscam o cinema como visão de mundo. Por isso vou pegá-la emprestada para falar do segundo filme de Anna Muylaert, É Proibido Fumar.

    Baby (Gloria Pires) é uma professora de violão, solteira e fumante compulsiva. Max (Paulo Miklos, O Invasor) é um roqueiro que acredita que ainda pode dar certo, mas vive de tocar “sambão” em churrascaria. Nenhum deles é extraordinário ou fez algo sensacional da vida, são apenas pessoas comuns.

    Numa rápida reflexão a vida é recheada de eventos excitantes ou de tempos de espera? Os ingênuos que me perdoem, mas o cotidiano está mais para rotina do que para uma aventura por dia. E daí? Mesmo os pessimistas sabem que de uma hora para outra o inesperado pode acontecer.

    É Proibido Fumar está na categoria em que o cinema retrata a vida e, na qual o espectador, ao decidir compartilhar o olhar do autor, enxerga graça no comum. No roteiro e na direção, Anna Muylaert (Durval Discos) é uma realizadora generosa: busca enquadramentos e planos que coloquem o espectador dentro da ação. Desta forma, estabelece uma relação de empatia com os conflitos e as alegrias de seus personagens. Sem julgamentos e estereótipos.

    Para interpretar Baby, Gloria Pires (Se Eu Fosse Você 2) fez muito mais do que aprender a tocar violão. Apesar de ter uma carreira consolidada na televisão e razoável nas telonas – com mais de dez filmes em seu currículo – é a primeira vez que ela faz cinema, de fato. Com Baby, a atriz revela que dá conta de papéis mais desafiadores e acerta nas nuances da humanidade que uma mulher comum tem, em sua complexidade.

    É Proibido Fumar é um deleite para quem ama o cinema. Anna sabe o que quer contar e como contar. O filme contém duas narrativas: a da imagem e a do som/trilha sonora, personagem fundamental dentro da trama. Ora se complementam, ora se contrapõem. Alternam-se na importância para dar ritmo, consistência aos personagens e veracidade à história. Assim, cria uma terceira narrativa, o filme. E isso, é cinema.

    A montagem amarra de forma sutil uma série de elementos que no começo podem parecer “tempos mortos” para mostrar a banalidade da vida. Com o desenrolar dos fatos, o ritmo do filme cresce. O que parecia banal ganha tamanha importância para trama que, a cada nova aparição, nos deixa mais tensos.

    Com a grande reviravolta na vida de Baby, em meio a uma crise de abstinência de nicotina e a desconfiança de que está sendo traída, o filme cresce, sem nunca deixar de ser tenro. É Proibido Fumar fala essencialmente de pessoas e as coloca em situações difíceis de resolver, revelando que não somos bons nem maus, somos as duas coisas. Há erros, acertos, desconfianças, inseguranças, mentiras e amor.

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