E SUA MÃE TAMBÉM

E SUA MÃE TAMBÉM

(Y Tu Mama Tambien)

2001 , 105 MIN.

18 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alfonso Cuarón

    Equipe técnica

    Roteiro: Alfonso Cuarón, Carlos Cuarón

    Produção: Alfonso Cuarón, Jorge Vergara

    Fotografia: Emmanuel Lubezki

    Trilha Sonora: José Enrico Fernandez Camilo Lara

    Estúdio: Anhelo Producciones, Besame Mucho Pictures, Producciones Anhelo

    Elenco

    Amaury Sérbulo, Ana López Mercado, Andrea López, Andrés Almeida, Arturo Ríos, Diana Bracho, Diego Luna, Emilio Echevarría, Gael García Bernal, Giselle Audirac, Juan Carlos Remolina, Liboria Rodríguez, María Aura, Maribel Verdu, Marta Aura, Mayra Serbulo, Nathan Grinberg, Silverio Palacios, Verónica Langer

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Depois de uma estréia promissora em seu país de origem, o cineasta mexicano Alfonso Cuarón foi tentar a vida no cinema americano, onde fez bons filmes, entre eles A Princesinha e Grandes Esperanças. Após dez anos sem filmar em sua terra natal, Cuarón retornou ao México para realizar o inteligente e sensível E Sua Mãe Também, filme que estréia neste fim de semana nos cinemas brasileiros.

    E Sua Mãe Também é uma comédia erótico-dramática. Mostra dois amigos adolescentes - Julio (Gael García Bernal) e Tenoch (Diego Luna) - preparando-se para entrar num verão que promete ser dos mais enfadonhos. Suas namoradas foram viajar e ambos estão sozinhos, sem muito o que fazer. Avoados e sem nada na cabeça, Julio e Tenoch são uma espécie de versão mexicana de Beavis e Butthead.

    Até que entra em cena a atraente Luísa (Maribel Verdú, de Sedução - Belle Époque), mulher mais velha, casada e européia, que imediatamente chama a atenção dos dois rapazes. Os três decidem ir à praia. Uma simples viagem de alguns dias que definitivamente vai mudar as histórias de suas vidas.

    Se nos Estados Unidos este tipo de filme é chamado de "road-movie", talvez no México ele possa ser considerado uma "película-carretera". Nomenclaturas à parte, E Sua Mãe Também retrata várias viagens. Não apenas a física, em que um velho carro passeia descompromissadamente pela miséria e pela intolerância política mexicanas, mas também e principalmente pela psicológica.

    Durante três dias, Julio e Tenoch viverão um rito de passagem da adolescência para a vida adulta. Mudarão os conceitos e as idéias pré-concebidas. Ambos aprenderão a perdoar. Luísa, por sua vez, tem um caminho diferente a empreender. Ela precisará romper as amarras de sua própria repressão para poder ingressar num outro estágio de existência.

    O interessante de tudo é que na medida em que os personagens se aprofundam e aprendem a viver, o filme também vai se tornando mais sério. Ele começa quase em ritmo de pornochanchada brasileira dos anos 70. O que é coerente com o estilo de vida dos dois rapazes protagonistas. A mudança de paisagem acompanha a alteração do tom da narrativa. O interior do país, árido, combina com a rudeza das brigas que se sucederão. E quando o trio chega ao azul do mar e à amplidão da praia, é como se as relações humanas entre eles finalmente encontrassem luz própria.

    Não por acaso, E Sua Mãe Também ganhou dois prêmios no Festival de Veneza: revelação para os dois atores e roteiro. O filme é a segunda maior bilheteria de um filme mexicano, levando mais de 3,5 milhões de pessoas aos cinemas e superando o badalado Amores Brutos (perdeu apenas para Sexo, Pudor & Lágrimas).

    28 de novembro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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