ELA É A PODEROSA

ELA É A PODEROSA

(Georgia Rule)

2007 , 113 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 20/07/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Garry Marshall

    Equipe técnica

    Roteiro: Mark Andrus

    Produção: David C. robinson, James G. Robinson

    Fotografia: Karl Walter Lindenlaub

    Trilha Sonora: John Debney

    Estúdio: Morgan Creek Productions, Universal Pictures

    Distribuidora: PlayArte

    Elenco

    Anna A. White, Cary Elwes, Chelse Swain, Christine Lakin, Dermot Mulroney, Dylan McLaughlin, Felicity Huffman, Garrett Hedlund, Hector Elizondo, Jane Fonda, Jennifer De Minco, Jonas Neal, Laurie Metcalf, Lindsay Lohan, Mandy Medlin, Shea Curry, Zachary Gordon

  • Crítica

    20/07/2007 00h00

    Os mercados de cinema e vídeo doméstico costumam cultivar mitos e preconceitos dignos do mais puro folclore. "Drama não vende" é um destes "mandamentos" criados e difundidos pelos departamentos comerciais das empresas distribuidoras, quase sempre na tentativa de esconder sua própria incompetência na função de vendas. "Hoje em dia as pessoas só querem ver comédias e filmes de ação", diz o segundo parágrafo deste falso e inconcebível dogma, cada vez mais forte e presente nas reuniões empresariais do setor. Assim, é comum o consumidor de cinema e DVD se deparar com rótulos, pôsteres e sinopses de dramas maquiados sob as falsas classificações de "comédia" ou "aventura". Vale tudo para vender mais. Inclusive mentir.

    Eventualmente, uma ou outra distribuidora exagera na dose, criando falsidades mercadológicas capazes de deixar Pinóquio constrangido. É o caso da PlayArte, que distribui o bom drama Georgia Rule, rebatizando-o com o patético título de Ela é a Poderosa, tendo como objetivo fazer o público acreditar que se trata de uma comédia, o que supostamente aumentaria as bilheterias e as futuras vendas em DVD.

    A trama fala da jovem californiana Rachel (Lindsay Lohan, transitando com naturalidade entre o sensual e o vulgar), que resolve passar o verão com sua avó (Jane Fonda, em eficiente papel coadjuvante) numa pacata e conservadora região do interior dos EUA. Na verdade, a garota está num processo de fuga de sua mãe alcoólatra (Felicity Huffmann, de Transamérica), com quem ela nutre uma relação das mais conturbadas. Durante as férias, Rachel deixa vazar para o veterinário local a informação de que ela teria sido molestada sexualmente pelo seu próprio padrasto, o que escancara as portas de uma caótica e sofrida crise familiar. Como se percebe, uma "comédia" de morrer de rir.

    O roteiro é de Mark Andrus, o mesmo de Melhor é Impossível, e a direção tem a assinatura de Garry Marshall, que já dirigiu grandes sucessos, como Uma Linda Mulher e os dois episódios de O Diário da Princesa. Talvez estes dois nomes tenham levado a distribuidora a acreditar que o filme fosse realmente uma comédia, mas o resultado final sem dúvida é de altíssimo teor dramático. As interpretações são convincentes, com boa química entre as atrizes que representam três gerações de mulheres que parecem condenadas a um ciclo histórico infindável de perturbações familiares. Os diálogos são afiados e o elenco coadjuvante masculino faz a "escada" necessária ao brilho dos personagens femininos. Ou seja, um bom filme que trata com dignidade de um tema difícil.

    Contudo, quem gosta de ver um bom drama no cinema dificilmente vai entrar num filme chamado Ela é a Poderosa; quem prefere uma comédia mais escrachada e escolhe Ela é a Poderosa para assistir, certamente vai sair do cinema procurando o telefone do Procon.

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