ELEFANTE

ELEFANTE

(Elephant)

2003 , 81 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gus Van Sant

    Equipe técnica

    Roteiro: Gus Van Sant

    Produção: Dany Wolf

    Fotografia: Harris Savides

    Estúdio: HBO Films

    Distribuidora: Warner Home Vídeo

    Elenco

    Alex Frost, Carrie Finklea, Eric Deulen, John Robinson, Jordan Taylor

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Prepare-se para ver na tela um Gus Van Sant bem diferente de Gênio indomável, Drugstore Cowboy ou de qualquer outro filme do diretor. Em Elefante, vencedor da Palma de Ouro em Cannes ano passado, com estréia este fim de semana, o espectador é convidado a conhecer um Van Sant contemplativo, passivo, que leva o público à reflexão.

    Seu filme é uma interpretação pessoal da tragédia em Columbine, mesma história que rendeu um Oscar para o ótimo documentário de Michael Moore. Mas em Elefante não houve a intenção de fazer uma reconstituição factual; o cineasta apenas inspirou-se nos acontecimentos para recriar o ambiente de uma escola norte-americana de classe média, horas antes do desenrolar surpreendente dos fatos.

    A narrativa de Elefante é toda fragmentada e acompanha o cotidiano de alguns alunos da escola da forma mais natural possível. Eles são vistos na aula de Educação Física, paquerando nos corredores, realizando trabalhos de fotografia, comendo e conversando futilidades no refeitório. Tudo visto e revisto sob vários ângulos, com cada tomada nos apresentando um novo personagem. Neste processo narrativo frio, quase documental, conhecemos também os assassinos e, nem aqui, há dramatização ou mudança no ritmo da narrativa. Tudo é normal demais, comum demais. Uma normalidade que incomoda, nos aproxima dos fatos e nos faz refletir.

    O filme não se aprofunda em querer explicar o que teria levado dois garotos a promoverem uma carnificina em seu colégio e depois se matarem. Tampouco se atém ao sofrimento e angústia das vítimas. Não há elucubrações sobre os fatos. Eles apenas são exibidos. Há sim uma certa ironia quando o diretor pontua a história com justificativas simplistas, respostas fáceis. O filme mostra, por exemplo, os assassinos jogando games violentos. Seria este o motivo? Num determinado momento, eles compram um fuzil pela internet. Teria o fácil acesso a armas de fogo contribuído para a tragédia? Sem dúvida, sim. Mas e os motivos? Talvez a indiferença dos pais ou quem sabe a discriminação dos colegas. A resposta, no entanto, parece ser muito mais complexa.

    Elefante não é um filme para ser discutido, é para ser refletido. Seus longos planos-seqüências, a câmera fixa no nada, sua narrativa fleumática, tudo nos empurra para a introspecção. Não é um filme que se esquece quando se saí da sala de cinema. Os créditos sobem na tela, mas as imagens continuam a ser projetadas persistentemente em nossas mentes. Não deixe de ver.

    Em tempo: Vale destacar a ótima atuação do elenco adolescente, que consegue passar toda a naturalidade pretendida pelo diretor. E para quem tiver curiosidade em saber, o título do filme se refere à máxima de um antigo filme inglês homônimo que dizia: as circunstâncias de um evento são tão fáceis de ignorar quanto um elefante no meio de uma sala de estar. Elefante é a prova disso.

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