ELENA

ELENA

(Elena)

2012 , 82 MIN.

12 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 10/05/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Petra Costa

    Equipe técnica

    Roteiro: Carolina Ziskind, Petra Costa

    Produção: Daniela Santos, Julia Bock

    Fotografia: Janice d'Avila, Miguel Vassy, Will Etchebehere

    Estúdio: Busca Vida Filmes

    Distribuidora: Espaço Filmes

  • Crítica

    05/05/2013 19h12

    Não é incomum ver realizadores levarem histórias pessoais às telas. Na maioria das vezes em que isso ocorre, resta ao público a percepção que – independente da qualidade técnica dessas produções – elas caberiam muito bem na prateleira da sala do diretor para exibi-la eventualmente para um familiar em dia de visita. Como produto cinematográfico, carecem de interesse maior, o que no fundo revela grande desdém pelo público. Mas há exceções e Elena é uma delas.

    O documentário trata de morte e perda. Reflete algo muito pessoal e íntimo na vida da diretora Petra Costa. No entanto, respeita e propõe um diálogo com o público. Petra não fez um filme somente para ela ou para seus familiares. Quando decidiu contar este episódio de sua vida na tela, se imbuiu da responsabilidade de estar levando algo a alguém. Esse coletivo indecifrável e heterogêneo que, afinal, é quem paga a conta.

    Em Elena acompanhamos Petra refazendo os passos da irmã mais velha, que saiu do Brasil rumo a Nova York atrás de seguir a carreira de atriz de cinema. Esse também era o desejo da mãe de ambas, nunca posto em prática. Ela e o marido enfrentaram a ditadura militar brasileira e foram salvos, involuntariamente, por Elena, na época há seis meses na barriga da mãe, o que impediu o casal de encontrar a morte certa no combate com os militares na guerrilha do Araguaia.

    Imagens de arquivo da família, dos tempos em que Petra era apenas um bebê e Elena uma adolescente, se mesclam a filmagens feitas em Nova York pela diretora, reconstruindo os caminhos da irmã e dela mesma, quando foi morar na cidade. A composição dessas imagens é essencial ao fluxo narrativo da trama. Uma Nova York densa, captada em fotografia suja e pontilhada, revela a metrópole desconhecida e cheia de perspectivas a ser descoberta por Elena. As cenas atuais, de Petra e sua mãe narrando os acontecimentos, estão sob luminosidade aberta e sem distorções, demonstrando a clareza e tranquilidade a que chegaram mãe e filha para reviverem esse momento dramático de suas vidas.

    Não é o drama pessoal da diretora, no entanto, que faz de Elena um bom filme. É como tudo isso é transformado em obra de cinema, num filme carregado de lirismo e poesia. Petra se preocupou em fazer de seu longa um caprichado produto cinematográfico para seu público, sem achar que seu entendimento bastaria, que sua catarse pessoal era suficiente.

    O resultado é um filme incondicionalmente individual, mas com grande comunicação com a audiência. Um compartilhamento de vivência pessoal, ao contrário de muitos filmes autocentrados e com pouco ou nada a dizer para quem se propõe e vê-lo e não vivenciou seus acontecimentos. Da estante da diretora para as telas de cinema com todos os méritos.


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