ELIZABETH: A ERA DE OURO

ELIZABETH: A ERA DE OURO

(Elizabeth: The Golden Age)

2007 , 114 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 15/02/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Shekhar Kapur

    Equipe técnica

    Roteiro: Michael Hirst, William Nicholson

    Produção: Eric Fellner, Jonathan Cavendish, Tim Bevan

    Fotografia: Remi Adefarasin

    Trilha Sonora: A.R. Rahman, Craig Armstrong

    Elenco

    Abbie Cornish, Cate Blanchett, Clive Owen, Eddie Redmayne, Geoffrey Rush, Samantha Morton, Tom Hollander

  • Crítica

    15/02/2008 00h00

    Em 1998, quando Elizabeth estreou nos cinemas lançando a bela australiana Cate Blanchett à fama, o filme não somente apresentou ao público a atuação magistral da atriz como a rainha, mas também levou o público a se interessar pela história da monarquia inglesa. Agora, dez anos depois, Cate volta à pele de Elizabeth I em Elizabeth: A Era de Ouro, sem as novidades que o primeiro filme trazia ao espectador.

    Elizabeth I nasceu em 1533; portanto, em Elizabeth: A Era de Ouro, ela está com 52 anos. O filme retrata o momento quanto ela defende seu reino da Espanha - o principal império do mundo até então graças ao sucesso que tem obtido com as grandes navegações e à conquista do Novo Mundo. Isso em 1585. Ao mesmo tempo em que mostra toda a parte política e religiosa do processo - ou seja, mais pontual e definido por meio de relatos históricos -, o longa-metragem também humaniza a figura de Elizabeth, como ocorreu na produção que o antecede. Conhecida como a "rainha virgem" por não ter se casado nem tido herdeiros, Elizabeth sofre a pressão não somente de nunca ter encontrado um companheiro à sua altura, mas, principalmente, por nunca ter amado um homem. Ao lado de sua criada Elizabeth Throckmorton (a australiana Abbie Cornish, de Candy) - que, mais do que criada, é sua amiga e confidente - e do leal conselheiro Sir Francis Walsingham (Geoffrey Rush), ela tenta driblar os problemas que surgem em seu caminho enquanto comanda a Inglaterra. A chegada do explorador Sir Walter Raleigh (Clive Owen) na corte de Elizabeth faz com que seu lado humano e carente aflore ante uma guerra iminente.

    Elizabeth é ameaçada pelo império espanhol, que, católico, prepara uma guerra santa contra a Inglaterra e sua rainha protestante; pela rainha da Escócia Mary Stuart (Samantha Morton), que conspira contra a vida da monarca e sua prima de olho no trono inglês; pela carência afetiva que sente no solitário trono que ocupa. Ou seja, são tantos os problemas que não sobra muito tempo para a rainha, nem o espectador, respirarem.

    Mas este não é o maior problema de Elizabeth: A Era de Ouro, mas sim a falta de ritmo. Claro, ainda podemos contar com as grandiosas cenas no castelo da rainha - filmadas em diversas locações na Inglaterra -, a direção de arte impecável e a atuação de Cate Blanchett, mas existe um quê de novelesco no filme que incomoda. O longa é completamente centrado na figura da rainha e a excelente atuação de Cate Blanchett é um ponto forte, mas ele resulta numa obra superficial demais. Parece que o diretor Shekhar Kapur (que também havia dirigido o longa anterior) ficou mais preocupado em mostrar os belíssimos ambientes nos quais os personagens do longa-metragem transitam e o caprichadíssimo figurino, assinado por Anne T. Delaney e Linda Lashley, ao invés de se concentrar numa direção mais precisa.

    A história é interessante, os atores estão em bons momentos e, visualmente, Elizabeth: A Era de Ouro é um verdadeiro espetáculo para os olhos. Mas não adianta muito quando o público não é envolvido por conta dos diálogos gelados e uma direção sem ritmo. A força de Elizabeth I, pelo menos da forma como o filme tenta passar pela visão que escolheu ao contar a história, acaba sendo traduzida num longa enfadonho, que parece durar mais do que os 114 minutos que contabiliza. Existem alguns momentos nos quais a guerra santa contra a Inglaterra protestante levanta questões pertinentes, especialmente no momento político no qual vivemos, principalmente em relação à intolerância religiosa e cultural, levando uma nação - a mais poderosa do mundo, no momento - a pegar em armas para impor seu poder. Mesmo assim, Elizabeth: A Era de Ouro ainda resulta numa obra superficial, apesar de tanta complexidade à sua volta.

    Em tempo: para você que reparou em todo o deslumbrante figurino, saiba que as jóias foram criadas por Erickson Beamon, tradicional joalheria que atua há 23 anos no mercado e ficou conhecida pelas ousadas criações. Já os chapéus com penas que Elizabeth I usa são de Stephen Jones, o chapeleiro da grife Christian Dior.

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