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ELLE

(Elle, 2016)

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16/11/2016 17h52
por Iara Vasconcelos

Elle é definido como um suspense, mas a julgar pelas risadas na sala de cinema, o filme está mais inclinado para o humor negro.

Isabelle Hupert entrega uma atuação brilhante como a empresária do ramo de video games Michelle. Moradora de um condomínio de luxo em Paris, ela tem uma relação conturbada com a mãe e não fala com o pai, preso após ter cometido uma série de assassinatos no passado.

Um dia, teve sua casa invadida e foi violentada por um homem mascarado. Mas Michelle resolve manter o fato em segredo de sua família e amigos, deixando claro que Elle não é um filme sobre vingança.

Claramente, o filme tem influências de Instinto Selvagem. Pudera, afinal ambos têm a direção de Paul Verhoeven. O cineasta, que caminha entre o erotismo sutil e o explícito, resolveu investir em uma trama controversa e reflexiva. A história ganha novos contornos quando ela e o criminoso se envolvem em um jogo sexual perigoso e pouco compreensível ao espectador. Como ela consegue fazer isso mesmo depois de sofrer tamanha violência? Explicar isso não é o foco de Verhoeven. Não espere problematizações ou análises psicológicas. Elle está ali para mostrar que nem tudo no cinema precisa ser racional, preto no branco, ou ter uma lição por trás.

Claro que o filme deve – e causa – desconfortos ao falar de estupro em um ambiente tão cômico. É difícil não projetar a nossa reação na personagem e até acharmos que seu conteúdo é misógino, mas Michelle não foi criada para ser uma "vítima ideal" e isso nos tira de nossa zona de conforto.

A atuação de Hupert consegue realçar ainda mais esse ponto. Michelle é uma personagem difícil de ser entendida. Com um passado obscuro, o pai preso e uma péssima relação com a mãe, por vezes ela parece ser uma mulher vaidosa e sem empatia. Ainda assim, ela consegue exalar carisma.

Aliás, a francesa rouba a cena no filme, bem como a maioria das personagens femininas. Os homens da história carecem de profundidade e são frequentemente retratados como seres incapazes e dominados, como é o caso do ex-marido de Michelle e de seu filho.

A forma como Verhoeven consegue navegar de forma natural entre diferentes gêneros, alternando humor, suspense e drama, torna a narrativa dinâmica e agradável. Elle de quebra conta com um desfecho surpreendente, que deve apaziguar um pouco a indignação dos fatos anteriores. Uma das produções mais originais do ano.

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