ELVIS E MADONA

ELVIS E MADONA

(Elvis e Madona)

2009 , 105 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 23/09/2011

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Marcelo Laffitte

    Equipe técnica

    Roteiro: Marcelo Laffitte

    Produção: Marcelo Laffitte, Tuinho Schwartz

    Fotografia: Ulrich Burtin

    Trilha Sonora: Victor Biglione

    Estúdio: Laffilmes

    Distribuidora: Pipa Filmes

    Elenco

    Aramis Trindade, Buzza Ferraz, Igor Cotrim, Joana Seibel, José Wilker, Maitê Proença, Pia Manfroni, Sergio Bezerra, Simone Spoladore, Wendell Bendelack

  • Crítica

    21/09/2011 14h34

    Elvis e Madona (sim, apenas com um “n”, para evitar complicações jurídicas) não é apenas um filme nobre, mas bom. Gostoso não só por seu tema, mas pela forma e a realização. Uma comédia de amor entre uma lésbica e uma travesti, ambientada numa Copacabana longe da idealização. Cidade de carne e osso para personagens idem.

    Temos nesta estreia no longa-metragem de Marcelo Laffitte, veterano curta-metragista, um ar claramente kitch, brega. Mas não aquele olhar superior e pedante de Família Vende Tudo, mas uma assunção inteligente da estética do exagero por meio de cores, trejeitos e personagens cafajestes. Obviamente, o filme respira ares do começo da carreira de Almodóvar: a dureza da sobrevivência de Que Fiz Eu Para Merecer Isto? com as aspirações das personagens de Kika.

    Mas Elvis e Madona filia-se também numa caracterização do popular típica da chanchada brasileira. Talvez essa associação seja o que permita uma atmosfera inteligente do lado B de Copacabana e a convivência de tipos diversos. Não que as chanchadas de Manga ou Burle foram ambientadas no bairro carioca, mas o humor do texto e das situações do filme de Laffitte resvala nesse tipo de comédia genuinamente brasileira – que, sejamos sinceros, nem sempre produziu filmes que nos orgulham.

    Ausência de conflitos

    É verdade também que os conflitos que surgem desse romance (a lésbica Elvira, convertida em Elvis, e Adaílton, travestida em Madona) são atenuados pela busca, em última instância, da leveza. Um caso de violência é sucedido por uma sequência cômico-musical com Madona se recuperando ao som de Gilberto Gil em Força na Peruca, composição de Gustavo Moura.

    Ou seja, cada gesto mais duro e afirmativo do filme é contraposto a um abrandamento com o humor e um movimento terno. Elvis e Madona dá uma pancada, mas faz carinho, postura que me irritou muito em Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual.

    Já que o portenho foi citado, explico-me: a diferença entre um e outro é que o filme de Laffitte não quer ser engraçadinho, mas engraçado – vai aí, além do jogo linguístico, uma grande diferença. O carioca recorre a outro tipo de humor que leva os personagens a um nível de verdade cinematográfica que Medianeras não consegue.

    A gangorra entre o riso e o siso, parafraseando a expressão do biógrafo de Oscarito, é também coerente com a grande personagem do filme, Madona: ela apanha da vida, mas não deixa de caminhar. Com um senso de humor e uma contagiante urgência de viver. Por isso que uma escolha que me irrita em um, agrada-me em outro.

    Com felicidade recebo a notícia da estreia comercial de Elvis e Madona. Já se vão quase dois anos desde que o filme passou no Mix Brasil em São Paulo. No período, foi o único representante do Brasil em Tribeca em 2010, faturou prêmios até em Paris e foi exibido até em Oslo e Varsóvia!

    Merecido, pois talvez tenhamos nesse filme uma alternativa cômica possível ao humor das globochanchadas como De Pernas Pro Ar e Qualquer Gato Vira-Lata.


Deixe seu comentário
comments powered by Disqus