ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO

ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO

(Encarnação do Demônio)

2007 , 90 MIN.

18 anos

Gênero: Terror

Estréia: 08/08/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • José Mojica Marins

    Equipe técnica

    Roteiro: Dennison Ramalho, José Mojica Marins

    Produção: Caio Gullane, Débora Ivanov, Fabiano Gullane, Paulo Sacramento

    Fotografia: José Roberto Eliezer

    Trilha Sonora: Louis Robin

    Estúdio: Gullane Filmes, Olhos de Cão Produções Cinematográficas

    Elenco

    Adriano Stuart, Alessandra Miranda, Alex Silva, Ana Consania, Anderson Momesso, André Frateschi, Andrey Marins, Cleo de Paris, Cristina Aché, Débora Muniz, Docinho, Eduardo Chagas, Elder Fraga, Fábio Ferreira Dias, Fausto Maule, Fernanda Brandão, Freak Garcia, Geanine Marques, Giulio Lopes, Guilherme Silva, Guta Ruiz, Helena Ignez, Indayara Moyano, Ivi Mesquita, Jannete Tomiita, Javert Monteiro, Jece Valadão, José Celso Martinez Corrêa, José Mojica Marins, Karina Bez Batti, Keila Siqueira, Kelvin Christian, Leny Dark, Luís Melo, Mairun Sevá, Marina Filizola, Mário Lima, Milhem Cortaz, Nara Sakarê, Nilson Primitivo, Raissa Gregori, Raymond Castile, Richard Graham Maddock, Rubens Mello, Rui Resende, SatãNathan Corcino, Thaís Simi, Thereza Amaral, Thrash, Valdênia Rangel, Zumba

  • Crítica

    08/08/2008 00h00

    É bem possível que a maioria das pessoas que reconhece o personagem Zé do Caixão - criado e personificado pelo autor de cinema (talvez a melhor definição) José Mojica Marins - esteja mais acostumado a ver o personagem do que o criador; talvez, nunca tenham visto o lendário coveiro em ação nos longas-metragens que protagonizou, como À Meia-Noite Levarei sua Alma (1964) e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967). Zé do Caixão é um ícone da cultura popular brasileira e tem tudo para cair no gosto popular de vez não somente por sua figura em si, mas pela ação cinematográfica.

    Depois de 40 anos preso após as atrocidades cometidas nos filmes de 1964 e 1967, Encarnação do Demônio mostra a soltura de Zé do Caixão (Mojica). Depois de 40 anos preso e algumas dezenas de assassinatos no currículo durante as décadas nas quais passou encarcerado, o coveiro está mais sedento do que nunca do desejo de encontrar a mulher ideal para gerar seu herdeiro. Agora, ele ataca na cidade de São Paulo. A metrópole é palco não somente de sua busca e torturas, mas também dos delírios de culpa com as vítimas que Zé do Caixão acumulou. No purgatório, conduzido pelo Mistificador (o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa, que já havia trabalhado com Mojica em O Despertar da Besta, de 1969), conhece a Morte e todos os tipos de torturas pelas quais são submetidas as almas perdidas.

    Em sua jornada, o protagonista encontra muitos aliados e belas mulheres completamente à mercê de sua loucura. Aliás, Encarnação do Demônio é o filme que mais traz "seguidores" do personagem. Nada como uma lenda pra colocar um vilão na boca do povo. Ao mesmo tempo, ele está na mira do Coronel Claudiomiro Pontes (numa inspirada atuação de Jece Valadão em seu último papel, finalizado poucos dias antes de morrer), que não suporta a idéia de ver esse assassino em série à solta, e o padre Eugênio (Milhen Cortaz, intenso, como sempre), cujo pai foi assassinado pelo coveiro.

    Num momento em que o gênero de terror só cresce em produção internacionalmente, já era mais do que hora de Mojica voltar a filmar este roteiro, que existe desde 1966. E, neste caso, com todo o apoio de produção que nunca teve, mas sempre mereceu pela sua forma única e genial de filmar. Encarnação do Demônio é um filme de Mojica turbinado. Bem turbinado. Suas idéias, executadas da forma como era possível nos filmes anteriores, continuam lá, intactas. Só que agora bem-realizadas. Cenas com insetos, efeitos especiais de primeira linha, a busca eterna do coveiro pela mulher perfeita para gerar seu filho... Tudo está lá. Esteticamente, Encarnação do Demônio é impecável, com suas cenas gore bem-filmadas, fotografia belíssima e bastante contundente para um filme de terror, figurinos góticos e sombrios - com peças assinadas pelo badalado estilista Alexandre Herchcovitch - e efeitos especiais que, por mais que sejam irreais, tornam-se verossímeis no universo de delírio do personagem.

    Além disso, foram inseridos trechos dos filmes anteriores da trilogia encerrada com esta obra para situar o espectador que por ventura desconheça o universo do personagem no trabalho cinematográfico do diretor. Afinal, Zé do Caixão pode ser muito notório pela sua figura tão particular, mas seus filmes não são tão vistos assim, apesar de possuir uma verdadeira legião de adoradores não somente aqui, mas lá fora também.

    Da mesma forma em que vemos soluções cinematográficas criativas para situações precárias nos filmes dirigidos por Mojica quando os recursos eram mais parcos, também é possível detectar os "milagres" feitos pela equipe de produção em Encarnação do Demônio, cujo orçamento foi de R$ 1,8 milhões, oriundos majoritariamente de recursos públicos. Principalmente porque não há mão-de-obra especializada no cinema de horror, já que o gênero é inexistente na cinematografia atual brasileira. Portanto, além de prestar o serviço de marcar o retorno de Mojica, o longa também marca o possível nascimento de um gênero que tem potencial de ser desenvolvido no Brasil cada vez mais: o de horror.

    Encarnação do Demônio marca a hora do Brasil conhecer o Mojica como diretor, não somente como Zé do Caixão.

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