ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

(Blindness)

2008 , 124 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 12/09/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Fernando Meirelles

    Equipe técnica

    Roteiro: Don McKellar

    Produção: Andréa Barata Ribeiro, Niv Fichman, Sonoko Sakai

    Fotografia: César Charlone

    Trilha Sonora: Marco Antônio Guimarães

    Estúdio: Alliance Films, Asmik Ace Entertainment, Bee Vine Pictures, Corus Entertainment, Fox Film, Fox Filmes do Brasil, O2 Filmes, Rhombus Media, Téléfilm Canada

    Distribuidora: Fox Film

    Elenco

    Agi Gallus, Alice Braga, Alice Poon, Amanda Hiebert, Anthero Montenegro, Antônio Fragoso, Barnie Jim, Bathsheba Garnett, Billy Otis, Carol Hubner, Ciça Meirelles, Daniel Zettel, Danny Glover, Domingos Antonio, Don McKellar, Douglas Silva, Eduardo Parisi, Eduardo Semerjian, Fabiana Guglielmetti, Fernando Macário, Fernando Patau, Gael García Bernal, Gerry Mendicino, Heraldo Firmino, Isai Rivera Blas, Jackie Brown, Jason Bermingham, João Velho, Joe Cobden, Joe Pingue, Johnny Goltz, Jorge Molina, Joris Jarsky, Joseph Motiki, Julianne Moore, Kelly Fiddick, Lilian Blanc, LinLyn Lue, Mariah Inger, Mark Ruffalo, Martha Burns, Marvin Karon, Matt Fitzgerald, Matt Gordon, Maury Chaykin, Mel Ciocolato, Michael Mahonen, Mike G. Yohannes, Mitchell Nye, Mpho Koaho, Nadia Litz, Niv Fichman, Norman Owen, Oscar Hsu, Otávio Martins, Patrick Garrow, Plínio Soares, Rick Demas, Robert Bidaman, Rodrigo Arijon, Rodrigo Pessin, Sandra Oh, Sari Friedland, Scott Anderson, Susan Coyne, Tom Melissis, Toni Ellwand, Tracy Wright, Victoria Fodor, Yoshino Kimura, Yusuke Iseya

  • Crítica

    12/09/2008 00h00

    Entra finalmente em cartaz um dos filmes mais comentados e esperados do ano: Ensaio Sobre a Cegueira, adaptação cinematográfica que Fernando Meirelles (Cidade de Deus) fez a partir do livro de José Saramago que muitos julgavam "infilmável". Não era. Não só o filme foi aprovado pelo autor do livro, como o resultado final é dos mais intrigantes.

    O clima é de fim de mundo, de hecatombe, seguindo aproximadamente a linha de Filhos da Esperança (coincidentemente, também com Julianne Moore) ou mesmo Eu Sou a Lenda (coincidentemente, também com Alice Braga). Porém, Ensaio Sobre a Cegueira traz um enorme, gigantesco diferencial sobre os citados: ele não é uma mera ficção sobre o fim dos tempos, mas sim um tratado sobre a própria condição do ser humano.

    O pretexto para tais análises existenciais parte de uma inexplicável e aterradora epidemia de cegueira. De um segundo para outro, sem nenhum fator lógico, uma após as outras as pessoas perdem a visão, e passam a enxergar tudo branco, e não preto, como seria a cegueira convencional. Sem distinção de cor, sexo, idade ou classe social. A doença equaliza a todos. Não há mais ricos e pobres, negros ou brancos. Só cegos. Com a única - e também inexplicável - exceção da personagem de Julianne Moore, uma mulher sem nome. Aliás, nenhum personagem tem nome no filme, o que enfatiza ainda mais o caráter nivelador da epidemia.

    A cegueira deixa mais claras as personalidades dos envolvidos. O verdadeiro interior de cada um vem à tona, para o bem e para o mal. Em meio à ignorância sobre o acontecido, a sociedade tenta se reorganizar, agora sob novas e implacáveis regras. Camadas de poder se (re)estabelecem. As leituras e sub-leituras da situação são inúmeras e instigantes. Ensaio sobre a Cegueira é o bem-vindo cinema que faz pensar.

    Cinematograficamente, tudo é muito bem resolvido. Interpretações, roteiro, direção de arte que cria uma gigantesca cidade fantasma com várias tomadas realizadas na capital paulista e principalmente a fotografia esbranquiçada de César Charlone, que "cega" o espectador como os personagens da trama. Talvez haja um excesso de texto narrado, pecado menor para um grande filme.

    Co-produzido por Brasil, Japão e Canadá, Ensaio Sobre a Cegueira reúne elenco, produtores e técnicos internacionais. Um verdadeiro produto da inevitável globalização que atinge a todos. Como uma doença inexplicável.

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