ENTRE LENÇÓIS

ENTRE LENÇÓIS

(Entre Lençóis)

2008 , 88 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 05/12/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gustavo Nieto Roa

    Equipe técnica

    Roteiro: Rene Belmonte

    Produção: Eliezer Lipnik, Gustavo Nieto Roa, Sean Walsh, Tiago Müller

    Fotografia: Márcio Zavarese

    Trilha Sonora: Cristyan Bicas

    Estúdio: Centauro Filmes

    Elenco

    Paola Oliveira, Reynaldo Gianecchini

  • Crítica

    05/12/2008 00h00

    Entre Lençóis é um drama que tem elementos de comédia e, ao mesmo tempo, uma comédia com elementos do drama. O espaço cênico dedicado aos personagens de Reynaldo Gianecchini (Sexo com Amor?) e Paola Oliveira (Rinha) é um quarto de motel, no qual Roberto e Paula vivem a experiência mais íntima de suas vidas.

    O encontro ocorre em uma boate, com uma troca rápida de olhares. Uma dança, um beijo, a cama, o sexo apressado. O que se desenhara como uma noite fugidia e passageira, transforma-se em troca de experiências, amor e em discussão de relação - mesmo que ela esteja fadada a durar 24 horas.

    O espaço cênico flerta com o teatro. Toda a ação do filme se passa no quarto, e parte dela ocorre debaixo dos lençóis. A dupla de atores está livre para desempenhar a partir do definido pelo roteiro: intimidade, sexo e troca de idéias sobre a vida, desde aspirações quanto ao futuro a questões banais, do tipo "por que mulheres sempre vão ao banheiro em par" ou "por que os homens têm o fetiche de transar com duas ao mesmo tempo"?

    A construção de Entre Lençóis pede três elementos básicos: um roteiro que crie situações sólidas e personagens complexos; capacidade dos atores improvisarem a partir dos diálogos; e uma boa mão do diretor. Quanto ao roteiro e aos diálogos, assinados por Renê Belmonte (Se Eu Fosse Você, Sexo com Amor?), apresentam-se inicialmente num ritmo interessante, mas não mantêm o vigor no miolo do filme. Afinal, não é fácil criar, por mais de uma hora, empatia entre espectador e personagens que permanecem todo o tempo no mesmo lugar físico - mesmo que no imaginário busquem flutuar. Interessante e maçante são duas sensações que co-existem ao assistir ao filme.

    A atuação do casal é boa, especialmente nos momentos cômicos. Quando improvisaram, o filme ganhou. Em uma seqüência hilária, Paula faz um strip para Roberto. E como o jogo sensual masculino é diferente do feminino, o strip do personagem de Gianecchini para o de Paola fica engraçado, pastelão, uma caricatura do macho latino. Ponto para os dois e para o filme.

    Porém, o diretor Gustavo Nieto Roa perde a mão na condução de Entre Lençóis ao exagerar na busca pela poesia visual, na beleza do corpo e na intenção de mostrar a intimidade desse casal que vai durar uma noite. Para provar que os personagens são íntimos, não é preciso mostrar a transa deles cinco vezes; eles não precisam fazer gemidos artificiais no sexo; é dispensável dissertar sobre filosofias óbvias; e os belos corpos da dupla Gianecchini/Paola não precisam de tanta exposição, pois o sensual pode perder espaço para o banal.

    Na seqüência final, tudo que os atores haviam feito dignamente no decorrer de Entre Lençóis é quase esculhambado pelo uso de ferramentas óbvias da atuação (lágrimas em demasia, frases de efeito, movimentos bruscos do rosto, excessos de diálogo) e por uma música que não acrescenta ao que já está na telona. Por muitas vezes, o silêncio tem mais valor que a fala e ocultar tem um resultado visual, artístico e dramático mais eficaz que mostrar. O excesso pode ser substituído pela economia.

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